BLOG DA SEMANA 4 - 26 de janeiro de 2008
LULINHA DIVERSIFICA INVESTIMENTOS – Migalhas (a publicação que recebo e da qual retirei a notícia) agora dá um presente para os jornalistas espertos. Dêem uma procurada nas últimas visitas que um tal de "Lulinha" fez nos últimos tempos nos leilões de gado em Mato Grosso e Goiás. O rapaz, promissor rapaz, compra (e paga) quase tudo que aparece. A preferência é, sabidamente, por vacas mojando. Ao que se diz, o gado é embarcado para as terras de sua propriedade na região do Xingu. Lá, montado num alazão, chapéu Prada e bota Paragon, ele campeia satisfeito, as glórias de novel fazendeiro, alçado que foi pelas inolvidáveis vicissitudes do destino.
NOVOS MEDICAMENTOS PREVISTOS NOS EE.UU. PARA 2008 – com a escassez de novos produtos farmacêuticos saídos das pesquisas realizadas nos laboratórios norte-americanos a expectativa de 5 novos lançamentos neste ano é saudada com certo entusiasmo pela mídia. São eles: o KYNAPID do laboratório Cardiome Pharma´s, para fibrilação atrial e cujas vendas poderão atingir 1,4 bilhões de dólares até 2015 (dois milhões e duzemntos mil americanos sofrem do problema); CORDAPTIVE, do laboratório Merck e que é uma composição de niacina com um outro componente que evita a vermelhidão facial causada pela Niacina – a Niacina é uma vitamina B, usada há muitos anos no combate ao colesterol – além de provocar uma elevação do “bom” colesterol; ACTEMRA do laboratório Roche aplicado na cura da artrite reumatóide, também uma droga com grande potencial de vendas; SUGAMMADEX, ainda sem nome comercial se destina a reverter os efeitos de poderosos relaxantes musculares utilizados em cirurgias e o FDA deu absoluta prioridade à aprovação do medicamento; e, por último o METHYLNALTREXONE, do laboratório Progenics Pharmaceuthicals e seu associado Wyeth nesse lançamento, medicamento que previne constipações intestinais em pacientes usuários de morfina e outros narcóticos empregados na supressão da dor e outra forma de ingestão oral do medicamento, além da forma injetável inicial, está sendo desenvolvida para uso cirúrgico e em pacientes crônicos.
O FURACÃO FINANCEIRO – com este título o grande investidor radicado nos Estados Unidos fez publicar um instigante artigo em jornais do mundo todo, sendo o jornal Valor Econômico o veículo do trabalho aqui no Brasil. Pessoalmente culpo ao financista a grande crise havida aqui no nosso País em 2002, quando ele cacifou lucros mirabolantes no medo financeiro provocado talvez por ele mesmo de uma possível vitória eleitoral de Lula. Mas não se pode negar a ele a grande e competente visão que tem das Finanças e da evolução da economia mundial. Por isto, transcrevo alguns tópicos do artigo, disponibilizando-o, na íntegra, para os meus leitores que o solicitarem. Vamos lá mas infelizmente, sou ruim nos resumos...:
"A atual crise financeira, deflagrada pelo estouro da bolha no mercado habitacional americano, também assinala o fim de uma era de expansão de crédito baseada no dólar como moeda de reserva internacional. Trata-se de um furacão muito maior do que qualquer outro ocorrido desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Para compreender o que está acontecendo, precisamos de um novo paradigma. Esse paradigma está disponível na teoria da reflexividade, que originalmente propus, vinte anos atrás, em meu livro "The Alchemy of Finance" (A alquimia financeira). A teoria sustenta que os mercados financeiros não tendem ao equilíbrio. Visões tendenciosas e errôneas entre os participantes no mercado introduzem incerteza e imprevisibilidade não apenas nos preços de mercado, mas também nos fundamentos que esses preços supostamente deveriam refletir. Deixados a seu bel-prazer, os mercados tendem a extremos de euforia e desespero.
Processos de expansão acelerada seguida de colapso brusco são geralmente centrados em crédito, e sempre envolvem um preconceito ou premissa errônea - geralmente a não percepção da existência de um nexo reflexivo, circular, entre a disposição para conceder empréstimos e o valor das garantias. O recente boom no mercado habitacional americano é um exemplo disso.
Mas o atual superboom é um caso mais complicado. Sempre que houve problemas com a expansão do crédito, as autoridades financeiras intervieram, injetando liqüidez e encontrando outras maneiras de estimular a economia. Isso criou um sistema de incentivos assimétricos - também denominado "risco moral" - que estimulou uma expansão cada vez maior do crédito. O sistema foi tão bem-sucedido que as pessoas passaram a acreditar no que o ex-presidente Ronald Reagan denominou "a mágica do mercado" - e que eu denomino fundamentalismo de mercado.
A globalização permitiu que os EUA absorvessem a poupança do resto do mundo e consumissem mais do que produziam, tendo seu déficit em conta corrente atingido a marca de 6,2% do Produto Nacional Bruto (PNB) em 2006. Os mercados financeiros incentivaram os consumidores a tomar empréstimos mediante a adoção de instrumentos cada vez mais sofisticados e termos mais generosos. As autoridades admitiram e estimularam esse processo, ao intervir, sempre que o sistema financeiro mundial esteve em risco.
O superboom escapou de controle quando os novos produtos tornaram-se tão complicados que as autoridades já não eram capazes de calcular os riscos e começaram a basear-se nos métodos de gerenciamento de riscos dos próprios bancos. Da mesma forma, as agências de classificação de crédito passaram a confiar nas informações apresentadas pelos criadores dos produtos sintéticos. Foi uma absurda abdicação de responsabilidades.
Tudo o que poderia dar errado, deu. O que começou com o financiamento habitacional para tomadores com histórico de crédito inseguro alastrou-se para todas as obrigações de dívida colateralizadas (CDO, na sigla em inglês), colocou em risco companhias seguradoras e resseguradoras de bônus municipais e de hipotecas, e ameaçou desmoronar o multitrilionário (em dólares) mercado de swaps de risco de crédito. As alocações de bancos de investimento em aquisições alavancadas converteram-se em passivos. Os fundos de hedge tiveram de abandonar suas posições. Ocorreu, então, uma paralisia no mercado de crédito de curto prazo garantido por ativos e os veículos de investimentos especiais criados pelos bancos para tirar as hipotecas de seus balanços patrimoniais deixaram de conseguir financiamento externo.
A expansão do crédito precisa agora ser seguida por um período de contração, porque alguns dos novos instrumentos e práticas creditícias são irresponsáveis e insustentáveis. Além disso, a capacidade das autoridades financeiras de estimular a economia é limitada pela inapetência do resto do mundo a acumular reservas adicionais em dólares.
Embora uma recessão no mundo desenvolvido seja agora mais ou menos inevitável, China, Índia e alguns dos países produtores de petróleo estão numa contra-tendência bastante vigorosa. Em conseqüência disso, é menos provável que a atual crise financeira provoque uma recessão mundial do que um realinhamento radical da economia mundial, com um declínio relativo dos EUA e a ascensão da China e de outros países em desenvolvimento. O perigo é que as tensões políticas resultantes, entre elas as de um protecionismo americano, possam desestabilizar a economia mundial e mergulhar o mundo em uma recessão - ou algo pior."
Os grifos e negritos são meus mas devemos atentar bem na lição do mestre George Soros que muitos detentores de poderes, em todo o mundo também estão lendo e possivelmente seguindo.
CAUTELA É A PALAVRA DO DIA !
NOVOS MEDICAMENTOS PREVISTOS NOS EE.UU. PARA 2008 – com a escassez de novos produtos farmacêuticos saídos das pesquisas realizadas nos laboratórios norte-americanos a expectativa de 5 novos lançamentos neste ano é saudada com certo entusiasmo pela mídia. São eles: o KYNAPID do laboratório Cardiome Pharma´s, para fibrilação atrial e cujas vendas poderão atingir 1,4 bilhões de dólares até 2015 (dois milhões e duzemntos mil americanos sofrem do problema); CORDAPTIVE, do laboratório Merck e que é uma composição de niacina com um outro componente que evita a vermelhidão facial causada pela Niacina – a Niacina é uma vitamina B, usada há muitos anos no combate ao colesterol – além de provocar uma elevação do “bom” colesterol; ACTEMRA do laboratório Roche aplicado na cura da artrite reumatóide, também uma droga com grande potencial de vendas; SUGAMMADEX, ainda sem nome comercial se destina a reverter os efeitos de poderosos relaxantes musculares utilizados em cirurgias e o FDA deu absoluta prioridade à aprovação do medicamento; e, por último o METHYLNALTREXONE, do laboratório Progenics Pharmaceuthicals e seu associado Wyeth nesse lançamento, medicamento que previne constipações intestinais em pacientes usuários de morfina e outros narcóticos empregados na supressão da dor e outra forma de ingestão oral do medicamento, além da forma injetável inicial, está sendo desenvolvida para uso cirúrgico e em pacientes crônicos.
O FURACÃO FINANCEIRO – com este título o grande investidor radicado nos Estados Unidos fez publicar um instigante artigo em jornais do mundo todo, sendo o jornal Valor Econômico o veículo do trabalho aqui no Brasil. Pessoalmente culpo ao financista a grande crise havida aqui no nosso País em 2002, quando ele cacifou lucros mirabolantes no medo financeiro provocado talvez por ele mesmo de uma possível vitória eleitoral de Lula. Mas não se pode negar a ele a grande e competente visão que tem das Finanças e da evolução da economia mundial. Por isto, transcrevo alguns tópicos do artigo, disponibilizando-o, na íntegra, para os meus leitores que o solicitarem. Vamos lá mas infelizmente, sou ruim nos resumos...:
"A atual crise financeira, deflagrada pelo estouro da bolha no mercado habitacional americano, também assinala o fim de uma era de expansão de crédito baseada no dólar como moeda de reserva internacional. Trata-se de um furacão muito maior do que qualquer outro ocorrido desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Para compreender o que está acontecendo, precisamos de um novo paradigma. Esse paradigma está disponível na teoria da reflexividade, que originalmente propus, vinte anos atrás, em meu livro "The Alchemy of Finance" (A alquimia financeira). A teoria sustenta que os mercados financeiros não tendem ao equilíbrio. Visões tendenciosas e errôneas entre os participantes no mercado introduzem incerteza e imprevisibilidade não apenas nos preços de mercado, mas também nos fundamentos que esses preços supostamente deveriam refletir. Deixados a seu bel-prazer, os mercados tendem a extremos de euforia e desespero.
Processos de expansão acelerada seguida de colapso brusco são geralmente centrados em crédito, e sempre envolvem um preconceito ou premissa errônea - geralmente a não percepção da existência de um nexo reflexivo, circular, entre a disposição para conceder empréstimos e o valor das garantias. O recente boom no mercado habitacional americano é um exemplo disso.
Mas o atual superboom é um caso mais complicado. Sempre que houve problemas com a expansão do crédito, as autoridades financeiras intervieram, injetando liqüidez e encontrando outras maneiras de estimular a economia. Isso criou um sistema de incentivos assimétricos - também denominado "risco moral" - que estimulou uma expansão cada vez maior do crédito. O sistema foi tão bem-sucedido que as pessoas passaram a acreditar no que o ex-presidente Ronald Reagan denominou "a mágica do mercado" - e que eu denomino fundamentalismo de mercado.
A globalização permitiu que os EUA absorvessem a poupança do resto do mundo e consumissem mais do que produziam, tendo seu déficit em conta corrente atingido a marca de 6,2% do Produto Nacional Bruto (PNB) em 2006. Os mercados financeiros incentivaram os consumidores a tomar empréstimos mediante a adoção de instrumentos cada vez mais sofisticados e termos mais generosos. As autoridades admitiram e estimularam esse processo, ao intervir, sempre que o sistema financeiro mundial esteve em risco.
O superboom escapou de controle quando os novos produtos tornaram-se tão complicados que as autoridades já não eram capazes de calcular os riscos e começaram a basear-se nos métodos de gerenciamento de riscos dos próprios bancos. Da mesma forma, as agências de classificação de crédito passaram a confiar nas informações apresentadas pelos criadores dos produtos sintéticos. Foi uma absurda abdicação de responsabilidades.
Tudo o que poderia dar errado, deu. O que começou com o financiamento habitacional para tomadores com histórico de crédito inseguro alastrou-se para todas as obrigações de dívida colateralizadas (CDO, na sigla em inglês), colocou em risco companhias seguradoras e resseguradoras de bônus municipais e de hipotecas, e ameaçou desmoronar o multitrilionário (em dólares) mercado de swaps de risco de crédito. As alocações de bancos de investimento em aquisições alavancadas converteram-se em passivos. Os fundos de hedge tiveram de abandonar suas posições. Ocorreu, então, uma paralisia no mercado de crédito de curto prazo garantido por ativos e os veículos de investimentos especiais criados pelos bancos para tirar as hipotecas de seus balanços patrimoniais deixaram de conseguir financiamento externo.
A expansão do crédito precisa agora ser seguida por um período de contração, porque alguns dos novos instrumentos e práticas creditícias são irresponsáveis e insustentáveis. Além disso, a capacidade das autoridades financeiras de estimular a economia é limitada pela inapetência do resto do mundo a acumular reservas adicionais em dólares.
Embora uma recessão no mundo desenvolvido seja agora mais ou menos inevitável, China, Índia e alguns dos países produtores de petróleo estão numa contra-tendência bastante vigorosa. Em conseqüência disso, é menos provável que a atual crise financeira provoque uma recessão mundial do que um realinhamento radical da economia mundial, com um declínio relativo dos EUA e a ascensão da China e de outros países em desenvolvimento. O perigo é que as tensões políticas resultantes, entre elas as de um protecionismo americano, possam desestabilizar a economia mundial e mergulhar o mundo em uma recessão - ou algo pior."
Os grifos e negritos são meus mas devemos atentar bem na lição do mestre George Soros que muitos detentores de poderes, em todo o mundo também estão lendo e possivelmente seguindo.
CAUTELA É A PALAVRA DO DIA !
