quarta-feira, setembro 26, 2007

BLOG 2 DA SEMANA 39 - 26 de setembro de 2007

Eu não concordo com os termos do artigo que transcrevo a seguir porque ele incorpora previsões otimistas ao extremo para o futuro da produção, do consumo e dos preços tanto do alcool como da gazolina, estes último chegando a ser, no meu entender, fantasiosos. Mas precisamos conhecer o que os outros pensam e pensar de modo próprio desenhando o futuro. Vai lá o texto:

Álcool supera gasolina em três anos

São Paulo, 26 de Setembro de 2007 - Projeção da RC Consultores aponta consumo de etanol de 23 bilhões de litros em 2010. Em três anos, o consumo de álcool deve superar o de gasolina no Brasil, segundo projeção da RC Consultores. Dos atuais 28 bilhões de litros em 2006, a demanda interna por gasolina cairá para 22 bilhões até 2010, enquanto a de álcool subirá de 13 bilhões de litros em 2006 para 23 bilhões. A frota de carros flex-fuel crescerá de 4 milhões de veículos para 10 milhões em três anos. Em 2013, haverá mais carros flex do que os movidos unicamente à gasolina - serão 15 milhões e 13 milhões de veículos, respectivamente. A projeção é feita em um cenário de preço do álcool representando 70% do da gasolina, vendas de carros flex participando em, pelo menos, 85% da comercialização total de veículos no País e um Produto Interno Bruto (PIB) anual crescendo a, no mínimo, 3,8% ao ano. Mas, o cenário positivo do ponto de vista de consumo interno esbarra em um mercado externo ainda arredio - que deve deslanchar apenas a partir de 2015 - e uma super produção de etanol, resultado da maturação dos investimentos sucroalcooleiros iniciados nos últimos meses, segundo Fábio Silveira, economista da RC Consultores. A projeção é de produção nacional de etanol 50% maior em 2010. Serão 29,8 bilhões de litros, ante os 20,5 bilhões desta safra. A relação entre produção e consumo pressionará para baixo os preços do etanol na usina, segundo o especialista. "Por isso, no início da próxima década o setor sucroalcooleiro entrará em marcha de fusões e aquisições. As usinas de menor porte, de moagem anual de até 2 milhões de toneladas de cana, terão que associar-se ou fundir-se para atingir custo de produção compatível com essa nova realidade", avalia Silveira. Para o presidente da Usinas e Destilaria do Oeste Paulista (UDOP), José Carlos Toledo, o ajuste entre oferta e demanda do mercado de álcool já começou este ano, mas terá duração mais curta do que se imagina, ou seja, não se estenderá até 2010. Os atuais preços do produto - há mais de quatro meses abaixo do custo de produção na usina - já interfere no ritmo de crescimento. "Os projetos não se consolidarão no ritmo do anunciado", garante. De fato, a cana que será moída para 2008 já está plantada e, por isso, muitas dificuldades devem vir para o setor no próximo ano, segundo Toledo. "Mas, para 2009, ainda há margem para programação e isso já está sendo feito". E a entrada forte do mercado externo também está prevista para um prazo menor. "Há três anos o setor dialoga com o Japão; esse mercado vai se abrir ao etanol do Brasil", avalia Toledo. Segundo o estudo da RC Consultores, os Estados Unidos também terão a necessidade "imperativa" de importar álcool, pois sua produção não atenderá a demanda interna. Estima-se que em 2012, 15% do consumo doméstico americano sejam atendidos por importações, o equivalente a volume de 8 bilhões de litros anuais. Apesar de considerar factíveis as projeções da RC Consultores, o especialista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-estrutura, pondera que a redução de consumo de gasolina até 2010 pode trazer mudanças estratégicas na Petrobras, o que não impede que se mude drasticamente o cenário para o consumo interno de álcool. Segundo ele, na medida em que o etanol toma espaço da gasolina internamente, a Petrobras, pode, por exemplo, não ter mercado externo para encaixar todo volume de sobra do Brasil e, então passar a competir diretamente com o álcool, forçando um recuo nos preços da gasolina. "No mundo todo, há tendência de substituição de combustíveis de origem fósseis por de fontes renováveis. Assim, há tendência de que até 2013 sobre gasolina.
(Fonte: Gazeta Mercantil - Agronegócios - Pág C7 - 26.09.07)
Pano de fundo
Nessa história toda de voto aberto ou secreto, o pior fica em surdina. O que não se fala - e que deve ser dito ! -, é o absurdo de um parlamentar votar de um jeito com voto secreto, e de outro com voto aberto. Não fosse isso verdade, não haveria sentido para essa estulta briga. O fato de haver certas votações secretas (criticando-se ou não) tem outro escopo. Mudar a forma de votar é tirar o sofá da sala. Não seria melhor só trocar o estofamento, ou seja, os parlamentares ? (Essa nota é do noticiário eletrônico MIGALHAS - muiiito bom e nele predominam as notícias jurídicas, embora sem exclusividade)
IPO: possibilidade de crescimento econômico para as empresas do Nordeste
Sérgio Ludmer*

É incontestável que a abertura do capital de uma empresa através da oferta de ações é um dos meios de financiamento mais eficientes à disposição de uma empresa em busca de expansão. Mas é certo também que se trata de caminho sem volta, além de ser o mais rigoroso.
As empresas do Nordeste, no entanto, ainda não vislumbraram, nesta operação, as claras vantagens trazidas pela abertura do capital no campo financeiro, de expansão, de governança corporativa, da sucessão familiar, de proteção do capital dos sócios, e, principalmente, da perpetuação da empresa.
Tal afirmação é verdadeira pois, passados cinco anos da criação do Novo Mercado, já foram registradas mais de 50 ofertas e captados mais de 28 bilhões, mas apenas três IPO's foram da Região Nordeste.
Oferta pública inicial, usualmente referida como IPO (do inglês Initial public offering), nada mais é do que o evento que marca a primeira venda de ações ordinárias de uma empresa no mercado de ações. Ou seja, a abertura oficial do capital de uma empresa.
E porque abrir o Capital? Os principais benefícios proporcionados por um IPO são: Permitir aos principais acionistas a diversificação de seu patrimônio, sem que para isso precisem abrir mão do controle da empresa; criar referência de valor de mercado para as participações de cada sócio; ajudar a equacionar questões sucessórias; aumentar as oportunidades de obtenção de financiamento a custos mais competitivos; empresas com forte presença regional ganham projeção nacional e aumentam o potencial de realização de parcerias; reforça a capacidade de adquirirem concorrentes; as ações podem ser usadas como moeda; profissionalização da gestão; e ganhos mais evidentes.
Enfim, são tantas as vantagens que não se justifica a tímida participação dos grandes grupos empresariais nordestinos nas operações de abertura de capital.
Vale ressaltar que o caminho é longo e muitas providências devem ser tomadas. É preciso estar bem assessorado por um staff (bancos, consultores, advogados, etc.) capaz de possibilitar o sucesso da operação. É fundamental, também, que a empresa e seus gestores assumam como missão adotar os mais altos níveis de governança corporativa.
Seja por fatores sócio-culturais arraigados ou por desconhecimento, os grandes grupos empresariais do nordeste não podem ficar de fora dessa erupção econômica de oportunidades que surge no mercado.
Por fim, traz-se o relato de Guilherme Peirão Leal, da Natura, o IPO pioneiro nessa arrancada das operações do mercado financeiro nacional, que talvez traduza o sentimento de boa parte dos controladores das empresas do Nordeste: "(...) é uma visão de futuro, de pensar como perenizar a empresa. A gente tem um sonho, a gente saiu de um fundo de quintal. É uma empresa que cresceu baseada em valores e que tem uma função social que transcende os interesses de seus fundadores. Ela passou a ser instrumento de desenvolvimento social e econômico, e a abertura de capital está ligada a isso, a um processo fundamentalmente de perenização dessa cultura, desses valores que têm trazido desse fundo de quintal até o momento presente. Então, queremos os nossos sócios como aliados na preservação dessa cultura de compromisso com o desenvolvimento econômico, mas também com o desenvolvimento social e ambientalmente responsável."
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*Advogado do escritório Martorelli e Gouveia Advogados

terça-feira, setembro 25, 2007

BLOG DA SEMANA 39 - 25 de setembro de 2007

Prezados amigos, depois de um largo trato de tempo eis-me hoje de regresso para postar interessante artigo do Prof. YOSHIAKI NAKANO cuja leitura recomendo. Diante das lôas generalizadas aos felizes êxitos da economia e das finanças do govêrno do Presidente LULA, até que se cria uma dúvida que o Prof. Nakano procura esclarecer.Aí vai o artigo:
Novo Modelo social-desenvolvimentista?
25/09/2007

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentou no IV Fórum de Economia da FGV uma coleção impressionante de dados favoráveis da economia brasileira e anunciou que o governo Lula está implantando um novo modelo social-desenvolvimentista no Brasil, com crescimento do PIB mais vigoroso e equilibrado, e com redução das desigualdades sociais e regionais.
O ministro argumentou que o crescimento é sustentável no longo prazo pois a nova política: 1) reduziu a vulnerabilidade externa, com nova política externa de diversificação de parceiros e reservas internacionais elevadas; 2) está ampliando o investimento público implementando o PAC; 3) garante estabilidade no curto prazo com política monetária agressiva; e 4) garante estabilidade no longo prazo com metas de responsabilidade fiscal, déficit nominal global com menor valor histórico, de apenas 2,08% do PIB, e dívida pública líquida de 44,4% do PIB nos últimos 12 meses, caminhando, respectivamente, rumo à meta zero e de 36% do PIB em 2010.
De fato, os dados apresentados são extremamente favoráveis e não tenho dúvidas, salvo crise internacional extrema - que ninguém está prevendo -, de que o surto de crescimento que estamos vivendo deverá persistir no médio prazo, isto é, nos próximos dois ou três anos na pior das hipóteses, pois temos pequena folga nas transações correntes e US$ 160 bilhões de reservas cambiais que podemos queimar.
Segundo Mantega, o PIB cresce há 22 trimestres consecutivos, o consumo há 15 trimestres consecutivos e o investimento há 14, fatos inéditos na história recente. Realmente, se observarmos o gráfico a seguir verificamos que a experiência recente de aceleração do crescimento indica uma quebra estrutural na série histórica do PIB. A partir de 2005, superamos os ciclos curtos de recuperação seguidos de crises causadas sempre pela elevação da taxa de juros pelo Banco Central, diante da parada súbita de fluxo de capitais financeiros seguidos de desvalorização cambial e inflação.
A rigor, iniciamos a recuperação da última crise financeira de 2002-03 com forte expansão das exportações, num padrão de crescimento tipo asiático, mas no final de 2004 o Banco Central volta a elevar a taxa de juros e transforma este impulso dado pelas exportações num crescimento de padrão latino-americano, comandado pela apreciação cambial e expansão do consumo interno. De qualquer forma há clara inflexão desde 2005.
Neste quadro, a questão central é saber se o atual surto de aceleração do crescimento significa uma transição para crescimento acelerado e sustentado de longo prazo. Estamos realmente transitando para um novo modelo social-desenvolvimentista como quer o ministro?
Para respondermos esta questão vamos recorrer às lições que os estudos de casos de aceleração e sustentação do crescimento nos dão como referência. O FMI vem desenvolvendo diversas pesquisas neste direção, sendo os mais notáveis aquelas elaboradas por Andy Berg, C. Leite, J. Ostry, Zettelmeyer e por Simon Johnson, J. Ostry & A. Subramanian (para um resumo dos resultados veja o artigo destes últimos autores, "Levers for Growth", Finance and Development, March 2006, vol.43, No. 1).
O que estes estudos mostram é que surtos de aceleração são muitos freqüentes, mas a maioria entra em colapso. Aceleração de crescimento em função de choques nos termos de troca ou boom de financiamento externo não persistem, o que é um péssimo sinal para o Brasil. Partindo de um estudo de 47 países em desenvolvimento, os estudos acima identificaram 12 casos de sucesso definidos pela aceleração no crescimento do PIB per capita de mais de 2%, seguido de crescimento persistente de pelo menos 3% no PIB per capital por mais de sete anos. O aspecto mais interessante destas pesquisas refere-se ao fato de que, nos países pobres, as condições institucionais iniciais são desfavoráveis, como no Brasil, mas nos casos de sucesso são políticas apropriadas e permitem aproveitar os surtos de aceleração do crescimento para, em seguida, fazer as reformas e mudanças necessárias para sustentar o crescimento.
Empiricamente, os casos de sucesso passaram por um processo de ampliação da estrutura produtiva voltada para produção de tradables, aumentando as exportações, especialmente de manufaturados. Isto ocorreu em países que conseguiram evitar a apreciação cambial significativa e prolongada, isto é, conseguiram estabelecer taxas competitivas e relativamente estáveis. Na verdade, estes países bem-sucedidos mantiveram, em média, a taxa de câmbio substancialmente depreciada, em 18% no período estudado, em relação à taxa de equilíbrio, que leva em consideração preços nacionais contra internacionais e aumento de produtividade, enquanto que nos casos de fracassos a taxa de câmbio ficou apreciada.
Outra característica marcante é que estes países mantiveram superávit em transações correntes. Não recorreram a capitais do exterior - ao contrário, o investimento foi ampliado significativamente e autofinanciado - e exportaram capitais para países ricos, acumulando reservas como um seguro contra choques externos e garantia para investidores.
Crescimento acelerado e sustentado, por longo período, é na prática um processo de catch up em que país pobre constrói uma estrutura produtiva moderna e competitiva, e para isto abre a economia ampliando o setor de não tradables, num esforço para trazer a fronteira tecnológica para dentro do país. Para isso evita excessivas oscilações e apreciação da taxa de câmbio. A rigor, os dados mostram que os países que tiveram sucesso mantêm a taxa depreciada para compensar, inicialmente, as instituições frágeis, infra-estrutura e burocracia excessivas que encarecem a produção, tributações distorcivas etc.
Para dar espaço para política de ampliação do setor de tradables nestes casos de sucesso, a política fiscal é prudente e os governos se mantêm relativamente pequenos. As reformas institucionais ocorrem depois de iniciada a aceleração, num prazo de até 5 anos.
O que a experiência histórica dos casos de sucesso na aceleração e sustentação do crescimento de longo prazo mostra que o desafio maior que o ministro da Fazenda terá ainda que enfrentar é a de conciliar a tensão entre necessidade de uma taxa de câmbio competitiva e menos volátil com as restrições impostas pela livre mobilidade de capitais e excesso de liquidez global, num novo provável contexto de pressão inflacionária global. Isto exige ainda ajustes fiscais capazes de abrir espaços para ampliação do setor de tradables, com elevação da taxa de investimento e o convencimento de que os superávits nas transações correntes será permanente. A atual aceleração no crescimento é a principal moeda política que o ministro da Fazenda possui para fazer as mudanças. O empenho do governo em aprovar a CPMF e o anúncio de ampliação de gastos correntes caminham politicamente na direção oposta. Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda do governo Mário Covas (SP), professor e diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas - FGV/EESP, escreve mensalmente às terças-feiras.