quinta-feira, maio 31, 2007

BLOG DA SEMANA 22 - 31 de maio de 2007

Manchete do jornal Valor Econômico de 29.05 – “CÂMBIO COMPROMETE AS EXPORTAÇÕES” . Só um incompetente não vê. “Com o dólar do jeito que está eu não consigo exportar”, diz o Diretor da empresa DAMIS Calçados, de Birigui, no interior de S.Paulo. Ficam aqueles que opinam só para ouvirem a eles mesmos dizendo bobagens como um coordenador de um escritório de projetos da APEX (Agência de Promoção de Exportação) que informou ao jornal que exportadores integrantes dos APL (Arranjos Produtivos Locais) teriam maiores chances de sobreporem-se às limitações cambiais pelo apoio que encontrariam na formação de mão de obra e por ficarem mais próximos das instituições de crédito – santa inocência!
Enquanto isto o maior exportador de calçados do Brasil – a REICHERT Calçados – com sede em Campo Bom (RS) decide fechar as portas. Fundada em 1935 tinha toda a sua produção orientada para o mercado externo e agora irá dispensar 4.000 trabalhadores que não saberão onde encontrar nova colocação. O Grupo ROSSET fabricante das marcas VALISÈRE e Cia. Marítima, cogita de abrir fábrica no exterior, insatisfeito que está com as percas de negócios para o exterior que vem ocorrendo nos últimos anos. Rosset criticou a política de juros que segundo ele é a principal responsável pela atração de dólares para o País, valorizando a moeda local. Isto tem bom senso.
Chama a atenção a desenvoltura com que analistas insistem que o câmbio valoriza devido ao saldo comercial e não por causa da entrada de capitais – é o que nos diz o articulista David Kupfer, professor da Univ. Fed. Do Rio de Janeiro. Segundo o professor o nosso Banco Central está enxugando gelo por meio da compra de reservas e traz o ensinamento de Paulo Gala, no artigo sob o título: “Dois padrões de política cambial: América Latina e Sudeste Asiático” onde ele ressalta “a importância de câmbios competitivos como uma das explicações para o relativo sucesso dos países do Leste e Sudeste Asiático nos últimos 30 anos. Notadamente quando comparado ao desempenho decepcionante dos latino-americanos e africanos.”
PROFESSA O MESTRE DELFIM NETO – “a economia mundial está vivendo uma euforia. O aumento dos preços das commodities, particularmente do petróleo, não produziu (até agora) pressões inflacionárias. O excesso de liquidez se manifesta (até agora) apenas na elevação generalizada dos preços dos ativos financeiros. .... A taxa de juro nominal de curto prazo da economia mundial (ponderada pelo PIB) anda ao redor de 4,5% ao ano e a expectativa de inflação mundial para os próximos 12 meses (ponderada pelo PIB) é da ordem de 2,6%, o que nos deixa com uma taxa de juro real próxima de 2%. No Brasil, o “mercado” espera hoje, para os próximos 12 meses, qualquer coisa como 8% de juro real (11,75% de SELIC e inflação de 3,5%). .... A despeito da visível melhora do nosso quadro econômico, a intensa e apaixonada discussão sobre a taxa de câmbio revela um desconforto com o futuro que não pode ser eliminado simplesmente com afirmações apodícticas ou ex cathedra, que tudo é uma questão de produtividade ou de mudança estrutural do nosso comércio exterior, ou que se trata de um resultado natural de um fenômeno natural. O problema é que essas afirmações não são nem inteiramente falsas, nem totalmente verdadeiras.
Ninguém ignora, prossegue Delfim neto, que o Real deveria mesmo valorizar-se como aconteceu com todas as moedas do mundo, porque elas refletem a imagem no espelho da desvalorização do dólar americano. .... O que se discute são as possíveis conseqüências para a construção do mercado interno nacional da supervalorização do Real sobre o crescimento e a complexidade do setor industrial. O que se quer saber é porque o Real é hoje a commodity mais desejada pelo mercado financeiro internacional? A resposta é que isso ocorre graças aos lucros de arbitragem gerados pela singular combinação de um enorme diferencial de juro real combinado com um dos mercados financeiros mais sofisticados do mundo e com a expectativa de que a supervalorização vai continuar estimulada pela parcimônia da política monetária . ... Grosseiramente, conclui o Prof. Delfim Neto, podemos concluir que 40% dos preços dos produtos de nossa pauta de exportação cresceram mais de 17% e o seu câmbio estaria superdesvalorizado; para os outros 60%, estaria supervalorizado. E´ claro que tudo isto é “calculera”! Mostra entretanto, que atribuir à produtividade os resultados é, no mínimo, falacioso”. (O artigo é muito bom e lamento não transcrevê-lo in totum)

sábado, maio 26, 2007

BLOG 2 DA SEMANA 21 - de 26 de maio, 2007

Hoje vou ser muito curto porque estou lendo a revista VEJA que circula na semana que vem e traz notícias do envolvimento de “donos do poder” com corrupção. A gente se empolga com a leitura, como quando se lê um folhetim, certos de que tudo transcorrerá como nas obras de ficção... sem qualquer conseqüência...
Diz a revista que dos mais de 785 presos em decorrência de investigações da Polícia Federal desde 2003, apenas pouco mais de 40 se encontram presos (não sei dizer se condenados ou ainda aguardando sentenças).
Tenho falado continuadamente sobre a situação do País para o empresariado, duvidando da lucratividade da maior parte das atividades privadas. As exceções seriam: 1) a atividade bancária; 2) as exportações de manufaturados que passaram a incluir em sua montagem componentes importados (do que resulta por outro lado desemprego para as industrias fornecedoras de tais insumos agora substituídos pelos de importação); 3) as exportações de produtos manufaturados produzidos por multinacionais sediadas em nosso País, com conexões ou coligadas na América Latina que lhes permitem impor preços dos quais resultem lucros que de outra forma não teriam; 4) algumas atividades de produção de produtos agrícolas, exportados “in natura”, seja pelo fato de imporem o ônus da desvantagem cambial aos pequenos produtores, ou por ainda conseguirem produzir com um custo compatível com o redito da operação de venda ao exterior; 5) setores que se aproveitam do aumento de ganhos de classes sociais que vêm sendo beneficiadas pelos programas sociais do governo, em atividades de varejo e 6) a construção civil o que digo com uma indagação, já que o fenômeno não seria geral nem para todos os setores; no Ceará as construtoras se uniram para importar materiais da CHINA.
O Chile que começou a observar uma apreciação não desejada da sua moeda, introduziu duas medidas para diminuírem afluência da moeda norte-americana. Mas isto é coisa de governos que zelam pelos contribuintes que geram a riqueza do País, o que a gestores de vista curta não ocorre. Parece que a Argentina também adotou novas normas recentemente, tudo de modo a não apreciar a sua moeda em demasia.
Um grande industrial que processa castanhas de caju, estabelecido em Teresina, dizia em entrevista televisiva de 5ª.Feira passada que a sua empresa que já empregara 900 mulheres havia reduzido o seu pessoal a 450 pessoas e que nos próximos meses irá reduzir mais 300 postos de trabalho. E digo eu deve estar trabalhando ou com prejuízo ou sem lucratividade alguma por todos estes meses. Essa industria processava mais de 80 mil toneladas de castanha de caju por ano.
Esse é um panorama mais ou menos generalizado em nosso País. Nós também já estamos reduzindo o nosso pessoal em mais de 10% e prevemos uma redução maior nos próximos 3 mêses se a conjuntura não se mostrar mais promissora.
E para terminar, uma pílula de humor: Um industrial exportador expunha a sua situação a um amigo que após ouvi-lo perguntou-lhe: “ E você, com tudo isto, como tem dormido?” ao que o industrial exportador respondeu: “ Eu? Durmo como uma criança... e complementando, ante o olhar indagador do amigo,.... acordando de duas em duas horas, chorando......”

terça-feira, maio 22, 2007

BLOG 1 DA SEMANA 21 - 22 DE MAIO DE 2007

Hoje vou repetir dois temas tratados na semana passada pois temo que meus leitores se limitem à leitura da primeira página...
ALTERAÇÃO DA RESPONSABILIDADE PENAL – discutiu-se muito a redução da idade para a maioridade penal e o tema ainda é matéria de deliberação legislativa. A meu ver o conceito está errado. Os menores de 18 anos, qualquer que seja o crime cometido deverão ficar segregados em instituições destinadas à recuperação de menores, entretanto, no meu entender, menores que cometerem latrocínios, crimes hediondos, assassinatos, venda de tóxico e crimes dessa gravidade, seriam julgados como se maiores fossem, ficando nas instituições destinadas ao encarceramento de menores até atingirem a maioridade, quando então passariam para os presídios de adultos, sempre submetidos a acompanhamento especial tendo em vista a diminuição da pena de acordo com determinadas condicionantes que indiquem a redução de sua periculosidade.
TAXA DE CONVERSÃO DA MOEDA AMERICANA TORNA IMPRATICÁVEL A ATIVIDADE INDUSTRIAL DESTINADA À EXPORTAÇÃO – é verdadeiramente absurda a incompetência dos nossos dirigentes do setor financeiro. Está acontecendo no Brasil o que aconteceu no Chile e na Argentina quando a indústria daqueles Países foi desmantelada por uma política míope e comprometida com interesses menores. Se não temos a competência necessária, pode-se ver o que os países em desenvolvimento, cujas indústrias prosperam e asseguram a participação das pequenas e médias empresas inovadoras. Além de termos de competir com as empresas de capital estrangeiro estabelecidas no País e que recebem financiamento de suas matrizes a juros do mercado externo, devemos ainda suportar a carga tributária requerida pelo nosso “mandarinato tupiniquim” que suga tudo, a ainda suportar o peso dos encargos sociais de mais de 111% (exatos 111,19%). O prof. José Sicsú da Univ. Federal do Rio de Janeiro, em recente entrevista concedida sugere várias medidas para sustar a vinda do capital especulativo que é o principal responsável pela enxurrada de dólares que estão chegando ao País, entre elas, a obrigatoriedade dos fundos externos de trazerem dinheiro próprio para cobrirem as margens de garantia dos negócios fechados na BM&F, atualmente feitos mediante a entrega de títulos públicos. Ele, assim como o ex-ministro Delfim Neto afirmam que o câmbio se tornou um ativo financeiro em si. A fixação de prazo de permanência no País para a sua saída sem maiores ônus, a redução drástica da taxa de juros SELIC, a fixação de um custo para saída de recursos especulativos que tenham permanecido menos de um semestre no País, enfim medidas que tornem mais arriscado o investimento e menos segura a possibilidade de sua retirada não onerosa a qualquer tempo como hoje prevalece, uma restrição enfim à prática de investimento envolvendo os chamados “dólares sintéticos” que influem no nosso mercado sem que tenham, de fato vindo ao nosso País. Todas essas medidas, embora não todas e não o tempo todo, já foram adotadas quando foi preciso conter a enxurrada de dólares em excesso. O fato é que ou o Governo faz alguma coisa já, ou quando quiser fazer será tarde.

quinta-feira, maio 17, 2007

BLOG DA SEMANA 20 - 17 de maio de 2007

Estive viajando até segunda-feira desta semana, além de ter tido um “pepino” com o meu computador que não me permite ainda usa-lo inteiramente; inclusive não estou acessando a minha lista de endereços para comunicar nova postagem.
Estive em Salvado, Bahia: sempre linda e despregada!
VISITA DE BENTO XVI - Tivemos na semana passada a visita do Santo Padre BENTO XVI, que falou o que tinha de falar, curto e certo. Ninguém é obrigado a seguir os ditames da Igreja, porém, se deseja fazer parte dela, tem que se adequar aos seus preceitos e não querer obrigar a Igreja a adequar-se aos costumes atuais com os quais possamos estar de acordo, mas que, alguns deles, representam, certamente, concessões à moral, à ética e aos preceitos religiosos que uma licenciosidade disseminada vem aceitando sob o argumento de se tratarem de “avanços da modernidade”... Dentro do livre arbítrio que a todos pertence, cada um adota os princípios de moralidade para a sua convivência na sociedade e segue, ou não, uma religião com a qual esteja acorde. Aliás, no tempo do Presidente Médici a propaganda do Brasil dizia: BRASIL AME-O OU DEIXE-O! E´o caso de adaptar-se a frase à religião... No mais, a visita do Santo Padre revelou-nos um homem sensível e preocupado com a religião a qual compete a êle defender e robustecer.
VÃO-SE ALGUNS ANÉIS DA DAIMLER-BENZ – a Daimler-Benz que em 1998 pagou cerca de 12 bilhões de Euros pela CHRYSLER norte-americana, acabou por vender 80% dessa empresa, com a qual, ao comprá-la, sonhara tornar-se a maior montadora de veículos do orbe terrestre, por um bilhão de Euros a uma empresa de participações financeiras, a Cerebrus Capital Management, que muito provavelmente não a irá operar – é freqüente tais empresas ao adquirirem um negocio complexo como este, fatiarem o investimento para venderem suas partes. Os 20% que a Daimler continuará retendo estarão numa empresa controladora, a Chrysler Holding LLC para a qual havia transferido, antecipadamente a totalidade de suas ações na montadora americana. Assim, o controle da Cerebrus sobre a Chrysler se dá através dessa controladora. A gestão da Chrysler pela Daimler alemã foi uma sucessão de erros e fracassos mercadológicos e jurídicos, tendo a empresa se envolvido com práticas malsãs de corrupção que teve de confessar, destituir altos funcionários nos Estados Unidos e na Alemanha, além de resultar, pouco tempo após a eclosão do escândalo na renuncia do seu então Presidente. Dieter Zetsche que era ao tempo diretor da operação norte-americana foi guindado à Presidência da organização a nível mundial. No Brasil, a DaimlerChrysler, nome que adotou após a aquisição da entidade americana, mantém fechada uma fábrica que a Chrysler havia construído para a produção da pick-up DAKOTA, o que a obrigou a devolver ao governo do Paraná os incentivos que havia recebido pela construção desta fábrica em Campo Largo. A fábrica construída em Juiz de Fora (MG) para a produção dos veículos da série A, também não conseguiu atingir um nível de produção satisfatório do modelo que apresenta deficiências evidenciadas logo quando do seu lançamento (instabilidade demonstrada por um jornalista ao fazer o test drive!), corrigidas apenas parcialmente por meio de dispositivo eletrônico, pela a montadora, além de outras deficiências. Apesar disso, como o carrinho também é um sinal de status, ainda a procura se mantém. O modelo que passou a ser montado em Juiz de Fora, para exportação, também não atingiu o volume de produção esperado e, pelos dois motivos, a atividade da fábrica de Juiz de Fora está longe de corresponder ao que dela a DC esperava. Há um ou dois anos a empresa alemã vendeu parte de uma participação que tinha em uma empresa aeroespacial com o que melhorou a figura de seu balanço anual naquele ano. Neste ano a perda com a venda da participação na Chrysler deverá atingir de 3 a 4 bilhões de Euros pois, apesar da grande perda no investimento, a Daimler alemã deverá registrar uma redução de seus compromissos de aposentadorias da operação americana que atingem presentemente a cifra de 19 bilhões de Euros. As vendas dos veículos Chrysler importados no Brasil acredita-se deverão continuar dentro do setor de vendas da Daimler brasileira, cujo nome atual – DaimlerChrysler do Brasil Ltda. - possivelmente será alterado. E´ um fim melancólico ante a esperança com que a aquisição foi feita, mas é o fim de uma atividade tumultuada, para dizer-se o menos, mas esclrecedora de muitos aspectos controvertidos éticamente.
ALTERAÇÃO DA RESPONSABILIDADE PENAL – discutiu-se muito a redução da idade para a maioridade penal e o Congresso ainda aprecia projeto neste sentido. A meu ver o conceito está errado. Os menores de 18 anos, qualquer que seja o crime cometido deverão ficar segregados em instituições destinadas à recuperação de menores, entretanto, no meu entender, menores que cometerem latrocínios, crimes hediondos, assassinatos, venda de tóxico e crimes dessa gravidade, seriam julgados como se maiores fossem, ficando nas instituições destinadas ao encarceramento de menores até atingirem a maioridade, quando então passariam para os presídios de adultos, sempre submetidos a acompanhamento especial tendo em vista a diminuição da pena de acordo com determinadas condicionantes que indiquem a redução de sua periculosidade. Essas instituições destinadas aos menores deveriam ter um sistema de instrução profissionalizante e ocupar o tempo dos menores nelas encarcerados com atividades escolares e esportivas, de modo a ocuparem todo o tempo deles de forma saudável.
TAXA DE CONVERSÃO DA MOEDA AMERICANA TORNA IMPRATICÁVEL A ATIVIDADE INDUSTRIAL DESTINADA À EXPORTAÇÃO – é verdadeiramente absurda a incompetência dos nossos dirigentes do setor financeiro. Está acontecendo no Brasil o que aconteceu no Chile e na Argentina quando a indústria daqueles Países foi desmantelada por uma política míope e comprometida com interesses menores. Se não se tiver competência, pode-se ver o que os países em desenvolvimento, cujas indústrias prosperam e acumulam a participação das pequenas e médias empresas inovadoras. Além de termos de competir com as empresas de capital estrangeiro estabelecidas no País e que recebem financiamento de suas matrizes a juros do mercado externo, devemos ainda suportar a carga tributária requerida pelo nosso “mandarinato tupiniquim” que suga tudo, a ainda suportar o peso dos encargos sociais de mais de 111% (exatos 111,19%). O prof. José Sicsú da Univ. Federal do Rio de Janeiro, em recente entrevista concedida sugere várias medidas para sustar a vinda do capital especulativo que é o principal responsável pela enxurrada de dólares que estão chegando ao País, entre elas, a obrigatoriedade dos fundos externos de trazerem dinheiro próprio para cobrirem as margens de garantia dos negócios fechados na BM&F, atualmente feitos mediante a entrega de títulos públicos. Ele, assim como o ex-ministro Delfim Neto afirmam que o câmbio se tornou um ativo financeiro em si. A fixação de prazo de permanência no País para a sua saída sem maiores ônus, a redução drástica da taxa de juros SELIC, a fixação de um custo para saída de recursos especulativos que tenham permanecido menos de um semestre no País, enfim medidas que tornem mais arriscado o investimento e menos segura a possibilidade de sua retirada não onerosa a qualquer tempo como hoje prevalece, uma restrição enfim à prática de investimento envolvendo os chamados “dólares sintéticos” que influem no nosso mercado sem que tenham, de fato vindo ao nosso País. Todas essas medidas, embora não todas e não o tempo todo, já foram adotadas quando foi preciso conter a enxurrada de dólares em excesso. O fato é que ou o Governo faz alguma coisa já, ou quando quiser fazer será tarde. A empresa nacional faz o S.O.S. veemente!

sábado, maio 05, 2007

BLOG DA SEMANA 18 - 5 de maio de 2007

O PORQUE DA ENORMIDADE DO FARDO FISCAL – sempre nos perguntamos a razão de ser dessa pletora de impostos quando os governos nos seus três níveis prestam serviços de forma tão deficiente e descuidada. Por vezes atribuímos essa enorme carga fiscal à volúpia dos governantes e dos políticos nas assembléias representativas da população. O Prof. Octavio Amorim Neto, professor de ciência política da Escola de Pós Graduação da Fundação Getulio Vargas, em artigo para o Jornal Valor discutiu o peso das verbas partidárias no orçamento e concluiu ser mínima essa influência na oneração dos orçamentos anuais. Se o tradicional suspeito da irresponsabilidade fiscal é inocente, sobre quem ou o quer recair a culpa política pelo asfixiante fardo Fiscal? “A resposta é complexa e a melhor pista que temos aponta para um efeito indireto e não antecipado do sistema partidário, caracterizado desde 1991, por uma alta fragmentação. E não é mera coincidência, prossegue o professor de quem transcrevo os períodos aspados, o fato de ser justamente o começo da década de 1990 o momento em que a carga tributária começa a crescer e forma impressionante e a maior despesa do governo, os gastos com o INSS iniciam sua subida aos céus.”
Desde 1991 existem em média 19 partidos representados na Câmara onde entretanto apenas 8 são de maior expressão política. Entretanto, apesar disto, os governos eleitos para a função executiva devem necessariamente se submeter à formação de coalizões, sem o que não criariam condições de governabilidade. O que faz a ponte entre os governos, sejam eles apoiados em um só dos partidos ou apoiados em uma coalizão de partidos é a coesão que existiria entre o governo e o seu partido no congresso e a coesão mais frouxa ou até mesmo inexistente, nos governos que se apóiam em coalizões de partidos. Lembro que até a necessidade de compulsão para o governo se assegurar de apoios como no caso do mensalão decorre de coalizões pouco firmes.
No caso de ocorrerem pressões orçamentárias em um governo apoiado em coalizões, argumenta o professor, todos desejam fazer cortes no orçamento, preservados os valores que iriam beneficiar a sua área de influência eleitoral. Então a solução para o ajuste se dá, não pela redução dos gastos mas pelo aumento da carga tributária. As perspectivas de uma alteração do quadro político até 2010 são mínimas e dificilmente surgirão condições que permitam uma forte coordenação entre os partidos dessa coalizão que permita introduzir os amplos cortes de gastos inócuos dos Governos, de imediato, quando o problema reside, exatamente, no descontrole generalizado com os gastos, seja na decisão de realiza-los, seja no controle da quantidade e qualidade do que teria sido exatamente o adquirido. E conclui o professor:
“Para fazer um ajuste que promova a redução dos gastos e, posteriormente, da carga tributária, o que passa pela reforma da previdência, é fundamental difundir os seus custos políticos entre todos os partidos. Isto significa envolver a oposição em um pacto fiscal de longo prazo... Dado o enorme capital político com que hoje conta Lula, ele se encontra em uma posição única para bancar esse pacto.” E termina conclamando o Presidente: “Presidente, ao ataque! Um pacto fiscal, por favor.
E a Previdência, precisa de uma reforma? – eu penso que aquela baboseira exposta pelo então Ministro da Previdência do primeiro mandato de Lula (não me lembro do nome dele...) foi inteiramente dispensável. Não nos interessa saber se o prejuízo dela decorre de valores que assumiu pagar decorrência de leis que atribuíram a ela tais encargos novos. O que interessa é ser ela deficitária. A reforma da Previdência terá que incluir um limite dos valores pagos a titulo de aposentadoria aos funcionários públicos assim com os do setor privado têm, afinal de contas, somos ou não uma REPÚBLICA onde os cidadãos são todos iguais? Não basta pois que o funcionário publico pague uma contribuição sobre a aposentadoria que recebe; é preciso que o montante dessa aposentadoria tenha um limite, um teto como os do setor privado têm. O lado no INSS do setor privado está aparentemente correto e na medida em que a economia propiciar a redução do trabalho informal, irá melhorando. O buraco é o setor público para não se entrar em minudências sobre as aposentadorias múltiplas, e outras barbaridades. Os encargos sociais do empregador já alcançam 111,19%. Aonde chegaremos? Nos Estados Unidos o peso dos encargos sobre a folha salarial da empresa é de 9,03%, na Dinamarca é de 11,6%, no Uruguai de 48,05%, na Alemanha que se queixa da perca de competitividade pelos seus altos custos sociais, a carga é de 60%. Assim com o chumbo nos pés da carga tributária e o peso nos braços dos encargos sociais, o empresário nacional não tem saída.
OS JUROS IMORAIS –todo o mundo concorda que os juros praticados no Brasil são imorais; numerosos articulistas acreditam que se os juros estivessem na metade da taxa SELIC de hoje, ainda assim o capital estrangeiro viria para aplicações em nosso País porque lá fora não encontraria nada semelhante; cada vez um maior numero de economistas critica o “carinho” com que os operadores do Banco Central protegem os bancos ao fazerem repetidas operações semelhantes e anunciadas, de forma a retirar deles qualquer risco de prejuízo. Apesar disto o Presidente deseja estimular o crescimento e acha ser isto possível com o PAC (que não deslancha) e outras terapias de remendo.Em recente artigo o economista Luiz Gonzaga Beluzo afirma que “poucos países ditos emergentes têm uma combinação câmbio-juro tão hostil ao crescimento e socialmente perversas de arbitragem e de especulação com os preços dos ativos.” Segundo os entendidos, as compras de dólares pelo Banco Central dão recursos aos vendedores, em Reais, para aplicação aos juros estratosféricos pagos no Brasil, para aplicar as divisas adquiridas às taxas vigentes no exterior de no máximo 6% ao ano. E´ uma inversão total de qualquer lógica! E ainda Beluzo prossegue: “Assim é cada vez maior o risco de regressão da estrutura industrial....” e mais adiante “O Banco Central executa uma política de câmbio e juro desastrosa e incompetente. E´ uma exceção grotesca, se nos comparamos a outros países que apresentam resultados piores no balanço de pagamentos, no déficit fiscal e na dívida pública....A atual política de câmbio e juros, aliada a um regime tributário pesado e hostil ao crescimento, dentro de poucos anos transformará o Brasil em um exportador de commodities, com perda de substância na indústria manufatureira.” O que os luminares do setor fazendário e financeiro do governo estão esperando?
GLICERINA TEM PREÇO BAIXO – no meu Blog da semana 50-2 de 15 de dezembro mostrei uma nova alternativa de uso da glicerina cujo preço de mercado despencou para a metade do que era antes da produção de biodiesel aumentar enormemente a sua oferta. Agora, alem de um processo de produção do biodiesel por meio de uma destilação fracionada do óleo vegetal, em fase final de desenvolvimento pela Universidade Federal de Brasília, levanta-se a perspectiva de obtenção do etanol a partir da glicerina que é, ela própria, um triálcool, via processos químicos, cujos custos estão em analise. Segue parte do texto do meu Blog anterior:
NOVO USO PARA A GLICERINA – uma das causas de inquietação quanto à produção de biodiesel reside na produção em grandes volumes do sub-produto GLICERINA, produto nobre cujo preço terá necessariamente que cair muito em função do aumento da oferta. Entretanto, notícias da Europa informam que em função da elevação dos preços da EPICLORIDRINA (ECH) decorrente do aumento dos preços do propileno, matéria prima usual para a sua fabricação, duas empresas de grande porte passarão a utilizar a glicerina como insumo inicial para a sua produção. Assim, a SPOLCHEMIE estará usando a glicerina em uma nova planta que estará operacional já em 2007 e irá produzir 15 mil toneladas/ano de ECH. Já o grupo químico SOLVAY anunciou que construirá uma unidade semelhante, empregando o seu processo Epicerol no qual utilizará também a glicerina como material inicial. Os dois processos que partirão da glicerina, fazem a sua conversão em dicloropropanol mediante a utilização do ácido clorídrico. O dicloropropanol é então convertido em Epicloridrina por um processo de dehidrocloração. O novo processo de produção da ECH também tem menor impacto ambiental já que no processo tradicional o propileno é convertido em epicloridrina mediante a utilização de cloro.