BLOG DA SEMANA 22 - 31 de maio de 2007
Manchete do jornal Valor Econômico de 29.05 – “CÂMBIO COMPROMETE AS EXPORTAÇÕES” . Só um incompetente não vê. “Com o dólar do jeito que está eu não consigo exportar”, diz o Diretor da empresa DAMIS Calçados, de Birigui, no interior de S.Paulo. Ficam aqueles que opinam só para ouvirem a eles mesmos dizendo bobagens como um coordenador de um escritório de projetos da APEX (Agência de Promoção de Exportação) que informou ao jornal que exportadores integrantes dos APL (Arranjos Produtivos Locais) teriam maiores chances de sobreporem-se às limitações cambiais pelo apoio que encontrariam na formação de mão de obra e por ficarem mais próximos das instituições de crédito – santa inocência!
Enquanto isto o maior exportador de calçados do Brasil – a REICHERT Calçados – com sede em Campo Bom (RS) decide fechar as portas. Fundada em 1935 tinha toda a sua produção orientada para o mercado externo e agora irá dispensar 4.000 trabalhadores que não saberão onde encontrar nova colocação. O Grupo ROSSET fabricante das marcas VALISÈRE e Cia. Marítima, cogita de abrir fábrica no exterior, insatisfeito que está com as percas de negócios para o exterior que vem ocorrendo nos últimos anos. Rosset criticou a política de juros que segundo ele é a principal responsável pela atração de dólares para o País, valorizando a moeda local. Isto tem bom senso.
Chama a atenção a desenvoltura com que analistas insistem que o câmbio valoriza devido ao saldo comercial e não por causa da entrada de capitais – é o que nos diz o articulista David Kupfer, professor da Univ. Fed. Do Rio de Janeiro. Segundo o professor o nosso Banco Central está enxugando gelo por meio da compra de reservas e traz o ensinamento de Paulo Gala, no artigo sob o título: “Dois padrões de política cambial: América Latina e Sudeste Asiático” onde ele ressalta “a importância de câmbios competitivos como uma das explicações para o relativo sucesso dos países do Leste e Sudeste Asiático nos últimos 30 anos. Notadamente quando comparado ao desempenho decepcionante dos latino-americanos e africanos.”
PROFESSA O MESTRE DELFIM NETO – “a economia mundial está vivendo uma euforia. O aumento dos preços das commodities, particularmente do petróleo, não produziu (até agora) pressões inflacionárias. O excesso de liquidez se manifesta (até agora) apenas na elevação generalizada dos preços dos ativos financeiros. .... A taxa de juro nominal de curto prazo da economia mundial (ponderada pelo PIB) anda ao redor de 4,5% ao ano e a expectativa de inflação mundial para os próximos 12 meses (ponderada pelo PIB) é da ordem de 2,6%, o que nos deixa com uma taxa de juro real próxima de 2%. No Brasil, o “mercado” espera hoje, para os próximos 12 meses, qualquer coisa como 8% de juro real (11,75% de SELIC e inflação de 3,5%). .... A despeito da visível melhora do nosso quadro econômico, a intensa e apaixonada discussão sobre a taxa de câmbio revela um desconforto com o futuro que não pode ser eliminado simplesmente com afirmações apodícticas ou ex cathedra, que tudo é uma questão de produtividade ou de mudança estrutural do nosso comércio exterior, ou que se trata de um resultado natural de um fenômeno natural. O problema é que essas afirmações não são nem inteiramente falsas, nem totalmente verdadeiras.
Ninguém ignora, prossegue Delfim neto, que o Real deveria mesmo valorizar-se como aconteceu com todas as moedas do mundo, porque elas refletem a imagem no espelho da desvalorização do dólar americano. .... O que se discute são as possíveis conseqüências para a construção do mercado interno nacional da supervalorização do Real sobre o crescimento e a complexidade do setor industrial. O que se quer saber é porque o Real é hoje a commodity mais desejada pelo mercado financeiro internacional? A resposta é que isso ocorre graças aos lucros de arbitragem gerados pela singular combinação de um enorme diferencial de juro real combinado com um dos mercados financeiros mais sofisticados do mundo e com a expectativa de que a supervalorização vai continuar estimulada pela parcimônia da política monetária . ... Grosseiramente, conclui o Prof. Delfim Neto, podemos concluir que 40% dos preços dos produtos de nossa pauta de exportação cresceram mais de 17% e o seu câmbio estaria superdesvalorizado; para os outros 60%, estaria supervalorizado. E´ claro que tudo isto é “calculera”! Mostra entretanto, que atribuir à produtividade os resultados é, no mínimo, falacioso”. (O artigo é muito bom e lamento não transcrevê-lo in totum)
Enquanto isto o maior exportador de calçados do Brasil – a REICHERT Calçados – com sede em Campo Bom (RS) decide fechar as portas. Fundada em 1935 tinha toda a sua produção orientada para o mercado externo e agora irá dispensar 4.000 trabalhadores que não saberão onde encontrar nova colocação. O Grupo ROSSET fabricante das marcas VALISÈRE e Cia. Marítima, cogita de abrir fábrica no exterior, insatisfeito que está com as percas de negócios para o exterior que vem ocorrendo nos últimos anos. Rosset criticou a política de juros que segundo ele é a principal responsável pela atração de dólares para o País, valorizando a moeda local. Isto tem bom senso.
Chama a atenção a desenvoltura com que analistas insistem que o câmbio valoriza devido ao saldo comercial e não por causa da entrada de capitais – é o que nos diz o articulista David Kupfer, professor da Univ. Fed. Do Rio de Janeiro. Segundo o professor o nosso Banco Central está enxugando gelo por meio da compra de reservas e traz o ensinamento de Paulo Gala, no artigo sob o título: “Dois padrões de política cambial: América Latina e Sudeste Asiático” onde ele ressalta “a importância de câmbios competitivos como uma das explicações para o relativo sucesso dos países do Leste e Sudeste Asiático nos últimos 30 anos. Notadamente quando comparado ao desempenho decepcionante dos latino-americanos e africanos.”
PROFESSA O MESTRE DELFIM NETO – “a economia mundial está vivendo uma euforia. O aumento dos preços das commodities, particularmente do petróleo, não produziu (até agora) pressões inflacionárias. O excesso de liquidez se manifesta (até agora) apenas na elevação generalizada dos preços dos ativos financeiros. .... A taxa de juro nominal de curto prazo da economia mundial (ponderada pelo PIB) anda ao redor de 4,5% ao ano e a expectativa de inflação mundial para os próximos 12 meses (ponderada pelo PIB) é da ordem de 2,6%, o que nos deixa com uma taxa de juro real próxima de 2%. No Brasil, o “mercado” espera hoje, para os próximos 12 meses, qualquer coisa como 8% de juro real (11,75% de SELIC e inflação de 3,5%). .... A despeito da visível melhora do nosso quadro econômico, a intensa e apaixonada discussão sobre a taxa de câmbio revela um desconforto com o futuro que não pode ser eliminado simplesmente com afirmações apodícticas ou ex cathedra, que tudo é uma questão de produtividade ou de mudança estrutural do nosso comércio exterior, ou que se trata de um resultado natural de um fenômeno natural. O problema é que essas afirmações não são nem inteiramente falsas, nem totalmente verdadeiras.
Ninguém ignora, prossegue Delfim neto, que o Real deveria mesmo valorizar-se como aconteceu com todas as moedas do mundo, porque elas refletem a imagem no espelho da desvalorização do dólar americano. .... O que se discute são as possíveis conseqüências para a construção do mercado interno nacional da supervalorização do Real sobre o crescimento e a complexidade do setor industrial. O que se quer saber é porque o Real é hoje a commodity mais desejada pelo mercado financeiro internacional? A resposta é que isso ocorre graças aos lucros de arbitragem gerados pela singular combinação de um enorme diferencial de juro real combinado com um dos mercados financeiros mais sofisticados do mundo e com a expectativa de que a supervalorização vai continuar estimulada pela parcimônia da política monetária . ... Grosseiramente, conclui o Prof. Delfim Neto, podemos concluir que 40% dos preços dos produtos de nossa pauta de exportação cresceram mais de 17% e o seu câmbio estaria superdesvalorizado; para os outros 60%, estaria supervalorizado. E´ claro que tudo isto é “calculera”! Mostra entretanto, que atribuir à produtividade os resultados é, no mínimo, falacioso”. (O artigo é muito bom e lamento não transcrevê-lo in totum)
