quarta-feira, fevereiro 28, 2007

BLOG DA SEMANA 9 - 28 de fevereiro de 2007

Esperar o quê?
Rangel Cavalcante (COLUNA de 25/2/2007)
O que o cidadão brasileiro pode esperar do novo Congresso? Uma espiada na constituição das comissões permanentes da Câmara dá a certeza de que nenhuma lei sairá daquela casa sem a aprovação, ou até iniciativa, dos grandes grupos econômicos que atuam no País. Dos 33 membros da Comissão de Finanças e Tributação, 15 e mais cinco suplentes receberam dinheiro de bancos, financeiras e seguradoras, uma média de R$ 721 mil por deputado.Na Comissão de Agricultura, os usineiros e empresas agrícolas emplacaram 16 titulares e nove suplentes, aos quais deram, em média, R$ 500 mil para a eleição. O mesmo ocorre nas outras, como a de Viação e Desenvolvimento, da qual 16 dos 30 integrantes e 11 suplentes foram eleitos pelas empreiteiras (média de R$ 460 mil por cabeça).O resto é tudo igual. Nenhuma lei é votada sem antes passar pelas comissões. O quadro mostra porque, a cada dia, o brasileiro é mais achacado pelo Estado, que faz as leis e torna o nosso País o paraíso dos banqueiros, da impunidade, da corrupção e do atraso.
TARIFAS DE ELETRICIDADE DA CEPISA NO PIAUÍ – um amigo me envia uma informação que transcrevo a seguir, onde demonstra a diferença entre as tarifas de eletricidade nos EUA e no nosso Piauí. Isto sem acrescentar que as alterações de tarifas feitas pela CEPISA estão ao arrepio das disposições legais acrescentando mais um exemplo para os fatos notórios de que os órgãos governamentais gastam muito e sem controle procurando sempre fechar a conta às custas dos cidadãos:
UMA NOTA DE CABEÇALHO: FAZENDO AS CONTAS PELOS DADOS DO TEXTO O PESSOAL LÁ DOS EUA PAGA US$ 0,06/kWh, AQUI NO RICO E PRÓSPERO PIAUÍ É US$ 0,25/kWh, COM AS TAXAS VAI PARA US$ 0,28/kWh, COMO O PESSOAL DOS EUA É POBRE, NÉ?

Estive presente na solenidade em que a hidroelétrica do Parnaíba era incorporada à hidroelétrica do São Francisco, ocasião em que o seu então Presidente, salvo engano o ex-ministro Marcondes Filho, dizia que a Hidroelétrica do São Francisco não ia poder absorver os custos excessivos (foi delicado nesta parte...) da construção da hidroelétrica do Piauí, do que resultaria que a companhia iria ter tarifas distintas para as duas áreas.

NEGÓCIO DA DELL – ha poucos dias estava eu a procura de adquirir um computador para um de meus netos como presente dos 15 anos quando recebi um e-mail não solicitado da DELL que oferecia entre outros produtos um conjunto que atendia ao que eu procurava. O preço era conveniente, cerca de R$ 2.080,00 e eu passei para a etapa de compra. Qual não foi a minha surpresa quando ao relacionarem o valor da compra, colocaram além do preço do produto que constava da oferta mais R$ 700,00 (setecentos Reais), sob a rubrica de frete. Achei um absurdo pois, primeiro é uma condução enganosa da negociação e, ao depois, subentende, a meu ver uma evasão fiscal. Suspendi o prosseguimento da compra e solicitei à empresa que não mais mandasse os seus spams para o meu endereço. Aí a empresa veio confirmando o recebimento da minha solicitação e dizendo que o meu nome havia sido incluído na sua “lista negra”. Pode ser uma coisa destas?! Só mesmo uma empresa imperial...

VACINA CONTRA O CÂNCER DE PRÓSTATA – um laboratório de Porto Alegre, RGS, fundado em 1999, o FK Biotecnologia, criado pelo médico Fernando Kreutz, teria criado uma vacina terapêutica contra o câncer de próstata. O empreendedor tem um doutorado em biotecnologia realizado na Universidade canadense de Alberta. As vacinas poderão ser licenciadas para produção no Canadá e na França e poderão alcançar a venda de 1.000 doses em dois anos, assegurando um faturamento de 10 milhões de Reais. O laboratório, diz a noticia está estudando procedimentos semelhantes para outros tipos de câncer. A corretora norte-americana aportou um capital de US$ 20.000 na condição de “Angel investor” em 2000 e em 2001 a CRP Cia. De Participações fez um investimento de R$ 625.000,00. A empresa opera em instalações da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mediante o pagamento de aluguel e royalties. Tanto pelo medicamento como pela empresa vale a pena os interessados olharem-na mais de perto. A ANVISA reconheceu a vacina como procedimento e não como medicamento já que o método de aplicação consiste na retirada de fragmento do tumor (em hospital escolhido pelo paciente ou conveniado com a empresa) do qual são extraídas células cujas características serão alteradas pela ativação de genes específicos. “Alteradas, as células tornam-se visíveis para o sistema imunológico humano e, depois de esterilizadas por radiação, são inoculadas no paciente com a finalidade de estimular a produção de linfócitos em quantidade suficiente para enfrentar a doença.” Os índices de cura situam-se ainda nos 36% das experiências levadas a efeito.

PROCESSOS PARA A PRODUÇÃO DE BIODIESEL – a adoção do uso de 10% de biodiesel aos combustíveis na Europa está em xeque devido ao alto custo em energia despendida no processo que a petrolífera francesa estava considerando adotar, isto porque o processo adota uma tecnologia de transformação do óleo vegetal em hidrocarbonetos que demanda elevada temperatura. Aqui no Brasil, além do processo de transesterificação que vem sendo adotado de forma geral e se apresenta econômico, existe em desenvolvimento, na U.F. de Brasília, um processo de craqueamento do óleo vegetal que se realiza em coluna de relativamente poucos pratos de fracionamento e utiliza nas unidades piloto um forno aquecido a lenha, portanto de baixa temperatura. Êste último processo não utiliza álcoois para a esterificação e acredito eu não tem a produção da glicerina em alto volume que seria um handcap do processo de transesterificação. Esse processo de craqueamento do óleo vegetal me encanta e tenho fé que poderá ser um novo caminho. Mas a adoção do biodiesel de produção européia enfrenta problemas na França, na Alemanha, na Inglaterra deixando-nos supor que os países tropicais terão que se tornar os fornecedores do novo combustível por seus custos serem imbatíveis. A adoção de novos usos para a glicerina, o que já noticiamos em um Blog anterior nosso minimiza o que poderia ser um inconveniente do processo alcoólico. A produção de etanol a partir do trigo, na Europa, e do milho, nos Estados Unidos, também enfrenta dificuldades de assimilação dos custos dessas matérias primas. Não é o caso da nossa cana de açúcar e da possibilidade do uso de tubérculos como a mandioca, a batata doce e outros.

E agora é a vez do Salmão transgênico ! – é possível?

Noticia do jornal Valor do dia 26/FEV :
Por Carlos ORSI

Peixes de uma espécie de salmão transgênico, desenvolvidos para crescer até três vezes mais que o salmão natural e pesar 25 vezes mais, não desenvolvem todo seu potencial quando criados num ambiente que simula as condições encontradas pelos salmões normais, na natureza. Nessa situação, crescem apenas 20% mais que o peixe natural, e adquirem apenas o dobro do tamanho do salmão normal.
O experimento, realizado por cientistas do Centro de Aqüicultura e Pesquisas Ambientais do Canadá e descrito em artigo que será publicado na edição online do periódico Proceedings of the National Academy os Sciences (PNAS) indica que um ambiente natural pode atuar como um mecanismo atenuante, que abafa o efeito da modificação genética. Os pesquisadores dizem, em seu artigo, que esse efeito tem o potencial de reduzir o impacto de uma eventual liberação da espécie transgênica no ambiente.