sexta-feira, fevereiro 16, 2007

BLOG DA SEMANA 7 - 16 DE FEVEREIRO DE 2007

Exportações de frutas do Ceará – li no Diário do Nordeste de Fortaleza, do dia 12 do corrente que o Estado do Ceará exportou em 2006 49milhões de dólares em frutas. Em 1997 ele havia exportado 500 mil dólares e importado 7.677,5 milhões de dólares. Em 2006 o saldo da balança comercial de frutas correspondeu ao total exportado pois não se registraram importações. Uma evolução respeitável e sobretudo porque a progressão foi sistemática, 12 milhões em 2001, 15 milhões em 2002, 21 milhões em 2003, 25 milhões em 2004, 45 milhões em 2005 e, finalmente, os 49 milhões de 2006. Fantástico!
PIAUÍ acordando? – há meses, em um dos meus blogs, propugnava para que o Estado do Piauí começasse uma política de florestamento, já que a produção de carvão por numerosos de seus habitantes estava devastando a cobertura florestal do Estado. Sugeria, também, que juntamente com um trabalho de recuperação da navegabilidade do Rio Parnaíba em todo o seu curso, fosse feito um trabalho de implantação de vegetação ciliar para a proteção das novas margens do rio. Essa recuperação é lenta já que consiste na construção de espigões colocados angularmente contra a vazão do Rio (espinha de peixe), de forma a aproveitar-se as enchentes anuais para o preenchimento do vazio formado por eles. Esse trabalho é vagaroso e deve ser começado, possivelmente da parte inferior do rio, mais próximo de sua foz e ir subindo aos pouco, na medida da consolidação da parte já feita. No Mississipi foi assim mas hoje o grande rio norte-americano está todo recuperado e trafegam nele comboios de alvarengas, amarradas aos pares e empurradas por empurradores motorizados. Agora, leio nos jornais que o Governo do Estado do Piauí solicitou à Codevasf, entidade que hoje é também responsável pelo desenvolvimento do vale do Parnaíba, projetos para identificar as possibilidades de exploração de recursos florestais e de implantação de um pólo alcooleiro na região do Vale do Parnaíba que teria mais de 250 mil quilômetros quadrados. A Codevasf, contratou para o estudo da parte florestal a Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná, que elaborou um projeto na base da implantação do cultivo do Eucalipto. Que coisa mais absurda essa de sugerir o plantio de eucaliptos planta sequioso de água do sub-solo como ela reconhecidamente é. Meu Pai teve um empreendimento com alguns amigos na zona de Macaé no Estado do Rio de Janeiro onde utilizaram o eucalipto para secar a área que era muito embrejada antes de começar a exploração para a qual destinavam a sociedade. A sugestão é tanto mais absurda quando temos, nativo do Piauí o SABIÁ, resistente à seca, e sempre verdejante, que se presta a uma campanha de florestamento como essa projetada. Seria bom o Piauí começar a cuidar de formar os seus planejadores...
Quanto ao projeto de implantação de núcleo alcooleiro, a Codevasf teria contratado a FGV Projetos, da Fundação Getulio Vargas que teria escolhido a região de Guadalupe para a implantação de projetos de álcool a partir do cultivo de cana de açúcar. A área selecionada, de 90 a 110 mil hectares que estaria disponível, teria um potencial de produção de 8 milhões de toneladas de cana e 720 milhões de litros de álcool por safra. O projeto da fGV prevê a divisão de sua implantação em 4 módulos de 28 mil hectares e capacidade inicial de 2 milhões de toneladas com investimento de R$ 1,6 bilhões, ao longo de 12 anos. O início de produção poderia ocorrer já em 3 ou 4 anos, diz o autor do projeto, consultor Antonio Bogado. Prossegue a notícia dizendo que o pólo canavieiro demandará um suprimento complementar de água equivalente a 600 milímetros por ano, que será bombeados desde a barragem da Boa Esperança já que o platô de Guadalupe situa-se a 200 metros acima do nível do mar. Não sou técnico mas essa sugestão me parece totalmente absurda. Em primeiro lugar porque temos ao longo do Rio, tanto do lado do Maranhão (em Coelho Neto que o jornal menciona) como no lado do Piauí, na altura de União, projetos alcooleiros a partir da cana de açúcar cujo terreno se presta de sem restrições maiores ao plantio da cana de açúcar, parte até sem irrigação, não exigindo essa adução de água da barragem para subir 200 metros de altitude e que eu acho que é o dobro pois o altiplano piauiense tem em média mais de 400 metros de altitude.
Não achei bom o que eu li e já não é o primeiro trabalho patrocinado pela Codevasf que leio e não gosto. O outro é um “Plano de Ação para o Desenvolvimento Integrado da Planície Litorânea no Vale do Parnaíba” que se estende numa porção de transcrições vem com sugestões inadequadas, muitas delas. Mas falaremos em outra ocasião. Aí também o trabalho foi feito por empresa de consultoria, com aparente falta de vivência na região.
A propósito da produção de álcool, estranho que não se venha falando no potencial da mandioca para esta finalidade. Maranhão e Piauí poderiam ser grandes produtores e a colheita é muito rápida. Havendo irrigação por gotejamento, tanto melhor, mas não havendo, a produção é também satisfatória. Sem dúvida temos na mandioca um produto esquecido que para essa finalidade é superior ao milho que vem sendo utilizado nos Estados Unidos. Vamos pensar na mandioca que foi um dos primeiros produtos falados quando se pensou na solução do álcool carburante e assim, já existem estudos sobre a planta para esta finalidade.
Luís Roberto Barroso – o prof. Luís Roberto é filho de dois grandes amigos meus. A Judith, sua mãe, infelizmente já falecida, foi minha colega de turma na antiga e querida Faculdade Nacional de Direito, e o Roberto, seu pai, formado um pouco antes. Namoro bonito o dos dois amigos. O Luís Roberto, advogado, professor e jurista que vem granjeando uma reputação cada vez mais sólida, foi paraninfo de uma turma da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro (UERJ) e fez um discurso magnífico. Gostaria de transcrever o discurso por inteiro pois vale a pena ser lido, mas vou transcrever uma parte hoje onde ele trata das emoções básicas. Sou mais extenso hoje porque vocês terão bastante tempo para a leitura. Leiam que é lindo o que esse jovem nos diz. E sábio!
" MEUS QUERIDOS AFILHADOS:
Fui professor de vocês nos anos de 2002 e 2003. Três anos se passaram entre nossa última aula e o dia em que vocês me escolheram para paraninfo. Só uma coisa explica isso: a empatia que tivemos e o afeto que desenvolvemos. Empatia e afeto são a matéria prima que faz as grandes amizades. E amigos de verdade não precisam estar próximos para estarem juntos. A amizade vence o tempo e a distância. Espero vê-los pessoalmente, ter notícias, celebrar as pequenas e as grandes vitórias, consolar em um mau momento. Isso será bom, mas não é indispensável. Porque independente disso, eu estarei sempre com vocês: em uma idéia, em um modo de olhar a vida, em um carinho que puderem fazer em quem precisa.
A maior parte de vocês irá se dedicar ao Direito. O DIREITO é a alternativa que o mundo concebeu contra a força bruta. Em lugar de guerras ou duelos, debates públicos; em vez de armas, idéias e argumentos. A nossa profissão consiste em transformar EMOÇÕES em PALAVRAS, interesses em razão, em busca do que é certo, do que é justo, do que é legítimo. E é sobre esses dois temas – emoções e palavras – que gostaria de lhes falar nesse momento de despedida, nessa hora em que vocês partem para o mundo. Faço isso, sintomaticamente, tomado pela emoção e temendo que me faltem as palavras.
AS EMOÇÕES BÁSICAS
A maior parte dos neurocientistas reconhece a existência de seis emoções básicas: raiva, desgosto, medo, alegria, tristeza e surpresa. Gostaria de compartilhar com vocês algumas reflexões sobre três delas.
A primeira dessas emoções básicas é a raiva, a reação instintiva à injustiça ou à violência. Ela é por vezes inevitável diante da agressão injusta, mas deve ser controlada o mais rápido possível. A raiva é má companheira e má conselheira. Com a autoridade do meu afeto, dou-lhe dois conselhos: (I) nunca tomem uma decisão importante na vida, pessoal ou profissional, movidos pela raiva – dêem tempo ao tempo para recobrar a razão; (II) nunca permitam que a raiva se transforme em ódio – o ódio é a derrota de quem o sente. E para os que crêem, compartilho uma inscrição que li alguns anos atrás na capela do Castelo de Chenonceau, na França: “A ira do homem não cumpre a justiça de Deus”.
A segunda emoção básica é o medo. O medo existe para nos proteger e para ser superado. É ele que nos mantém vivos, nos afasta dos perigos que não podem ser vencidos. Mas não se deve ceder ao medo que paralisa o ânimo, que nos impede de tentar, por temer não conseguir. Não tenham medo de perder. Nenhuma vida é feita só de sucessos. Eu não saberia contar quantas vezes não cheguei nem perto. E mais: às vezes a gente pensa que ganhou e perdeu; e às vezes pensa que perdeu e ganhou. Nunca me esqueci de um diálogo que ouvi, no movimento estudantil, em tempos ainda difíceis, que ficou gravado em meu espírito. A pergunta: “você não tem medo de morrer?”. A resposta veio pronta: “Não. Tenho medo é de não viver”.
Pois viver é subir a bordo de uma embarcação que passa por muitos portos, por mares calmos e mares revoltos. É preciso ter velas e âncoras. Velas para ir em busca do próprio destino, com determinação e coragem. E âncoras para parar e aguardar o momento próprio, quando não seja a hora de lançar-se ao mar. A vida, portanto, é feita de ousadias e de prudências. Ser prudente quando se impunha a ousadia, é ser menos do que se pode ser. E ser ousado quando se impunha a prudência, é pretender ser mais do que se pode. E como se sabe quando é um caso e quando é o outro? Se houvesse resposta para essa pergunta, todos percorreriam os mesmos caminhos e a vida seria aborrecidíssima. É nessas escolhas que cada indivíduo vive a plenitude da sua liberdade de ser, pensar e criar. É preciso, portanto, que cada um encontre a sua identidade, o seu ponto de equilíbrio, o seu sonho pessoal.
O desgosto e a tristeza vão ficar para uma outra vez. Não há lugar para eles nesta noite. Com um único registro: embora emoções inevitáveis em uma vida completa, só crescem além da medida se forem cultivados. Tampouco haverá lugar para surpresa. Esta é uma noite previsível. A emoção final a ser aqui tratada é a alegria, matéria prima que alimenta a felicidade. É para isso que existimos, este é o grande tributo à criação: ser feliz e ajudar os outros a serem felizes. Não há fórmula mágica nem receita única. Cada um é feliz à sua maneira. A experiência da vida, no entanto, revela dois caminhos que costumam dar certo: ser bom e ter ideal.
Ser bom significa amar a si e amar ao próximo. Sejam bons com vocês mesmos. Ouçam o próprio coração, percorram os caminhos que conduzam aos seus sonhos, desfrutem os prazeres legítimos que a vida proporciona. Não sintam culpa de ser felizes. Ao lado disso, sejam bons para os outros. Tenham uma visão igualitária do mundo. Ninguém é melhor do que ninguém. As pessoas são diferentes, e não umas superiores às outras. Gabriel García Marques, em página inspirada, escreveu: “Um homem só tem o direito de olhar outro de cima para baixo se for para ajudá-lo”.
Cultivem bons sentimentos; racionalizem os impulsos negativos que existem em todos nós. Um dos milagres de que o espírito é capaz é o de transformar inveja em admiração sincera. Inveja é querer que o outro não tenha. Admiração é querer ter também, sem tomar indevidamente, o que o outro tem de bom. E dar os créditos, confessar a inspiração. Alguns professores que tive, como Jacob Dolinger e José Carlos Barbosa Moreira, iluminaram o meu caminho a vida inteira. Passados 25 anos, ainda os trago na mente e no coração. A inveja traz tristeza e inimigos. A admiração traz alegria e amigos.
Por fim, ter ideal significa estar comprometido com o bem de todos, com o destino da condição humana. O constitucionalismo, que é esta fé racional que nos une, envolve a superação de uma visão egoísta do mundo, pela descoberta do outro, daquele que é diferente, que ficou de fora, que ficou para trás. O processo civilizatório é um projeto comum e consiste em fazer de cada um o melhor que possa ser. A causa da humanidade é assegurar o respeito à diversidade e promover a igualdade. Na frase feliz de Boaventura Souza Santos: “As pessoas têm o direito de ser iguais quando a diferença as inferioriza, e o direito a ser diferentes quando a igualdade as descaracteriza”.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Olá, estava pesquisando o nome do meu bisavô e fui parar no seu Blog, e só estou escrevendo pela enorme coicidencia eu não sei muito sobre ele,só sei q veio da França e casou se com uma cearense de resto sei que meu avô nasceu em Parnaíba, confundo um pouco as estórias pq tem um sobrinho dele no meio q se chamava Marc.Caso alguma destas informações bata com a sua origem Jacob, escreva me vou aguar.meu endereço é pentesileias@hotmail.com

6:25 AM  
Anonymous Anônimo said...

Prezado marc,

ponto 1: é comum os interesses individuais se sobreporem aos interesses do nosso Piauí. Recomendação de reflorestamento com Eucalipto? Falta descobrir " o fio da meada". Há, com certeza, alguma outra intenção escondida ou algum outro interesse a ser protegido e/ ou viabilizado.
O Piauí tem inúmeras outras alternativas ( como as que mencionastes) que não necessitam nem de pesquisa e nem de recomendação. Estão à vista de todos essas potencialidades vegetais; faladas e decantadas, sugeridas e indicadas por vários outros estudos já realizados e comprovadamente adequadas às nossas realidades de solo, climáticas, sociais e econômicas.
Mas, sempre aparece a necessidade de um novo estudo........prá que?

ponto 2: Belíssimas reflexões. Vale pena absorvê-las e colocá-las em prática, afinal, nós fomos colocados no mundo para sermos felizes e, portanto, temos que procurar a felicidade sempre. A presença dessas emoções, desses sentimentos nos fazem nos sentir vivos e saber equilibrá-los com o domínio da razão é o melhor caminho para se atingir a paz espiritual e a felicidade.

Ponto 3: valeu! continue a nos brindar com preciosas informações, comentários e reflexões nos teus blogs.

Fernando Said

7:17 PM  

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