sexta-feira, dezembro 15, 2006

BLOG DA SEMANA 50-2 - 15 de dezembro de 2006


NOVO USO PARA A GLICERINA – uma das causas de inquietação quanto à produção de biodiesel reside na produção em grandes volumes do sub-produto GLICERINA, produto nobre cujo preço terá necessariamente que cair muito em função do aumento da oferta. Entretanto, notícias da Europa informam que em função da elevação dos preços da EPICLORIDRINA (ECH) decorrente do aumento dos preços do propileno, matéria prima usual para a sua fabricação, duas empresas de grande porte passarão a utilizar a glicerina como insumo inicial para a sua produção. Assim, a SPOLCHEMIE estará usando a glicerina em uma nova planta que estará operacional já em 2007 e irá produzir 15 mil toneladas/ano de ECH. Já o grupo químico SOLVAY anunciou que construirá uma unidade semelhante, empregando o seu processo Epicerol no qual utilizará também a glicerina como material inicial. Os dois processos que partirão da glicerina, fazem a sua conversão em dicloropropanol mediante a utilização do ácido clorídrico. O dicloropropanol é então convertido em Epicloridrina por um processo de dehidrocloração. O novo processo de produção da ECH também tem menor impacto ambiental já que no processo tradicional o propileno é convertido em epicloridrina mediante a utilização de cloro. Embora a nova tecnologia não seja simples, é de esperar-se que maior numero de produtores de epicloridrina venham a adota-lo dado o baixo preço da glicerina e a perspectiva de mantença dessa baixa cotação, decorrência do aumento previsível da produção de biodiesel e do sub-produto glicerina. De qualquer forma é também uma indicação de que os preços da glicerina poderão não cair tanto, como se temia que poderiam cair. A ECH é um intermediário químico importante pelo volume da demanda e dos derivados para os quais é utilizada.
BANCO DO NORDESTE DO BRASIL (BNB) EM PELE DE CAMALEÃO – desde 1994 uma firma cearense mantém uma disputa com o BNB que teria sido condenado a pagar uma indenização de certo vulto. Para fugir do pagamento, o BNB conseguiu em determinado momento até a interveniência do então Presidente da República. Ora o Banco em suas atividades de banco comercial deve ser considerado um banco como outro qualquer e se é condenado a pagar indenizações, é porque se sujeitou a esta conseqüência, seja por imperícia ou por prepotência dos seus agentes. O BNB, muitas das vezes, se supõe agir como autoridade, desatendendo até a ditames da justiça e não deveria poder socorrer-se do poder público federal para eximir-se de pagar o devido. Ou ele é pêga ou é gavião, não pode mudar de pele feito camaleão. O autoritarismo das diversas diretorias do BNB nesses anos mais recentes, tem sido a causa de muitas atribuições de multas e condenações do Banco que em ocasiões variadas pretende sobrepor-se às ordenações vigentes no País, á autoridade dos Juízes e até às determinações específicas do Banco Central do Brasil. E´ preciso enquadra-lo!
GRÃOS GENETICAMENTE MODIFICADOS – além da disputa em torno da soja modificada e do milho, soube agora que também já existe o arroz transgênico. Seria útil a divulgação de maiores esclarecimentos do porque do debate, já que aparentemente, essa é uma tendência que irá se alastrando e incluindo outros grãos.
SENADORA HELOÍSA HELENA – essa verdadeira leoa se despediu do Senado no último dia 13. Não concordo com todas as suas posições mas apreciei a sua modesta e verdadeira campanha para a eleição presidencial onde teve oportunidade de dizer tantas verdades, o que também fez em todos os anos durante os quais exerceu a senatoria. Como modesta homenagem à boa parlamentar que ela foi, transcrevo uma frase dita por ela na sua oração de despedida: “Eu sei que posso não ter ajudado muito a mudar o Brasil, mas tenho a consciência tranqüila de que não contribui para ele ficar pior, ficar mais apodrecido”. Dois dias depois do discurso dela, esse congresso que aí deslustra o nosso homem público aprovou um aumento de salário para eles próprios para R$ 24.500,00, um aumento de mais de 90% sem contar os ganhos indiretos, para a perplexidade dos cidadãos. "Quousque tandem Catilina abutere patientia nostra!” proclamava César no Senado romano! Acredito que com esse novo salário os congressistas de fato passarão ganhar acima dos senhores Ministros do STF que não têm os reembolsos de despesas e as outras mordomias que “ornam” a “folha corrida” desses congressistas. “Até quando, senhores congressistas, abusarão vossas excelências da nossa paciência” , repetimos nós dentro do nosso estarrecimento!
AVANÇA A CULTURA DO AÇAFRÃO EM GOIÁS (TAMBÉM CHAMADO DE "AÇAFRÔA") - a notícia é bôa e está no jornal Valor, no caderno Especial do dia 14, ontem. A planta originária da India foi para cá trazida pelos nossos colonizadores, entretanto, é no norte goiano onde uma terra preta de alta fertilidade, assim diz a notícia, e a alternância bem definida das temporadas de chuvas e de sêcas, permitiram a cultura se consolidar como opção econômica. Pelo que li, a produção ainda não é muito grande pois seriam apenas 250 hectares cultivados até agora mas já são 4.000 toneladas de raizes "in natura" que, uma vez sêcas equivalem a 800 toneladas de açafrão sêco. O produto sêco é vendido pela coperativa ao preço de R$ 3,10 a R$ 3,30 o quilo destinando-se preponderantemente as industrias de alimentos, cosméticos e produção de corantes. O presidente da cooperativa dos produtores do açafrão acredita que a área plantada poderá se expandir para 500/600 hectares até 2008. A tendência é dos produtores diversificarem a apresentação final do produto objetivando o aumento de sua renda que já ultrapassa os dois salários mínimos por família envolvida. Eu vejo alguma possibilidade de utilização dos extratos dessa planta para fins farmacêuticos, tanto o extrato oleoso como o pó obtido pelo processo extrativo. Trata-se de uma planta de grande potencial. O centro dessa produção é o município de Mara Rosa mas inclui também Estrela do Norte, Amaralina, Alto Horizonte, Campinópolis e Formoso de Goiás. O plantio se dá entre outubro e dezembro e a colheita ocorre de janeiro a setembro do ano seguinte. Registro o evento com satisfação pelas indicações farmacêuticas que o extrato do açafrão tem como antiinflamatório potente e coadjuvante no tratamento de doenças ainda pouco conhecidas como o Mal de Parkinson e o Alzheimer.