quarta-feira, agosto 23, 2006

BLOG DA SEMANA 34

No meu blogg anterior, tratei do grande numero de pobres no meu querido Estado do Piauí e da minha perplexidade diante de tal fato tendo em vista as nossas potencialidades e nada fazermos. Estamos terminando o período de mandato do Govêrno do Estado e não sei de qualquer campanha visando a promoção das nossas populações, assim entendidos programas que visem "ensinar grupos sociais a pescarem, em vez de darmos peixes para comerem"... Me encanta ver os grandes programas de interligação dos açudes do Ceará, ver êste Estado vizinho já ser hoje o maior exportador brasileiro de figos para a Europa, o segundo maior exportador de flores, creio que o maior exportador de melões...tudo numaregião fustigada por condições climáticas muito mais adversas que as nossas no Piauí. Muitos anos atrás pensei em revolucionar o ensino em Parnaíba e criei uma escola que pretendia ser modêlo, implantada em uma área de quase 20.000 metros quadrados, com uma velha cas que havia sido a moradia do maior educador parnaíbano, o Dr. José Pires, todo arborizado de fruteiras e onde acrescentei novas salas conjugadas por meio de um corredor coberto de telhas mas aberto nas laterais. Toda o condicionamento das salas baseava=se na circulação de ar e os ambientes eram muito agradáveis. Creio que a reação dos sistemas tradicionais atrazados existentes na cidade foi maior do que o benefício que a minha iniciativa trouxe para a comunidade mas tenho a sensação de haver levado uma nova inspiração para a comunidade, até pela inveja provocada. Sem dúvida alguma, se queremos mudar o quadro que aí está teremos que mudar as condições do ensino básico e já. Não é aceitável que nossas crianças deixem as escolas do ensino básico sem saberem de fato entenderem um texto que mal soletram, nem observarmos crianças saindo dos grupos escolares no meio da manhã, sob a alegação da falta da merenda escolar: e quando não tinha? e porque não comprar bananas no mercado para suprir a falta da merenda oficial? porque não criar um "pequeno caixa" com as contribuição dos pais, dos professores e até de vizinhos comprometidos com o ensino em sua comunidade para suprir esses vazios? Temos um dos candidatos à Presidência que só fala em educação e certamente ele exagera mas se queremos ter um País desenvolvido temos que dar duro nas condições atuais do ensino público e não ter condescend~encia com professores incompetentes. Isto é URGENTE ! Só uma revolução no ensino público, embora mais do que necessária, não resolverá todos os problemas que temos e que são muitos.
Penso muitas vêzes sôbre as manifestações do PODER, como ele se exerce, a maior parte das vêzes, sem estar escancarado. Outro problema é o atrazo e a pobreza das populações. Porque o Brasil e os Estados Unidos se tornaram tão diferentes. No século 17 (em tôrno de 1630), os Estados Unidos, então constituido por pequenos núcleos coloniais, sem unidade política e sem uma atividade econômica que lhes desse sustentatação, fazia suas primeiras experiências com o cultivo do chá, do tabaco e de outras atividades que na virada daquele século responderiam pelo vigor daquela região com a extensão das plantações, o trabalho escravo e maior desenvolvimento social. O Brasil já era uma verdadeira potencia agrícula, objeto da inveja da França, da Holanda e teria até a sua principal região produtora de açúcar ocupada pelos holandeses.
O progresso da afgricultura brasileira naquela parte do seu devir, proporcionou a Portugal recursos com que pagar a Holanda pela derrota militar que lhe infligiu em Pernambuco.
O Tratado de Methuen negociado pelo cônsul britânico em Lisboa e firmado em 1703 transformaria Portugal em um apêndice econômico da Inglaterra. Em troca da venda de seus vinhos para os inglêses, beneficiando-se de preferências tarifárias, Portugal proibia a instalação de manufaturas em seu território e nas colônias.
A educação e a instrução que durante certo tempo manteve as elites sociais e políticas de Portugal ao nível das demais naçõies européias, não continuaria assim por muito tempo e até a realeza portugueza tem sido criticada pelo seu baixo nivel educacional, surpreendendo, poir exemplo o casamento de D. Pedro I com uma nobre de uma das mais tradicionais famílias européias.
A descoberta de minérios no Brasil no século XVII e XVIII aceleraria o desenvolvimento entretanto sem estrutura ago-industrial e a maior parte dos diamantes e do ouro que foi do Brasil para Portugal terminou transferido para a Inglaterra pagando os deficits da balança comercial e os empréstimos com os quais Portugal passou a sustentar-se.
Pensei residir aí a diferença maior entre os Estados Unidos e o Brasil pois no nosso vizinho do norte as riquezas minerais foram descobertas e passaram a ser exploradas quando o País já era independente, enquanto que no Brasil isto ocorreu quando ainda érams colônia.
Mas lendo o livro de John Steel Gordon, me convenci de que não foi só isto, embora tal fato importe. Mas a grande diferença residiu na engenhosidade dos colonos que foram para lá e, naturalmente, no fato de terem a Inglaterra como um mercado acolhedor embora por vêzes tenham mantido situaçõies de atrito. Estados Unidos e Brasil construiram grandes frotas mercantes - a do Brasil a Inglaterra praticamente devastou a pretesto de combater a escravatura. Estados Unidos no início do seculo XVIII exportava gêlo para todo o mundo - gêlo que era colhido dos seus rios e lagos congelados nos invernos (ainda vou procurar confirmar esta informação de Gordon mas segundo êle, os navios de madeira eram carregados e gelo e ainda mais isolados com serragem de suas serrarias... uma idéia de gênio!). Também uma idéia inovadora dos Estados Unidos permitiu ao País se tornar um grande produtor e exportador de algodão - a máquina de descaroçar o produto. Uma maravilha que mudou o sentido do comercio.
Não quero me estender demais mas em tudo se vê que a educação influiu.
Há anos demonstrei a viabilidade de utilizar-se secadores de plástico para as palhas de carnaúba do que decorre dobrar-se a produção em cera final (o aumento de produção do pó é de 40% mas o rendimento em cera passa de 64% para 94% e de uma cêra mais limpa que exigirá menos operações de refino). O Estado do Ceará já vai construir 12 unidades em 12 municípios dos mais pobres do Estado. E o Piauí... nada faz. Isto resulta do nível de educação das elites dirigentes...
Eu dei as plantas para unidades capazes de secarem 20 milheiros por dia para a Secretaria de Agricultura do Ceará e para a Secretaria de Planejamento do Piauí. Vamos acompanhar o trabalho delas.

1 Comments:

Blogger Paulo Cesar Sampaio said...

Olá, Marc! Belo texto e verdadeiro como sempre! Comungo de sua tristeza pela pobreza no Piaui e, sim, aqui neste Ceará-véi-de-guerra...Teremos mais 4 anos de Lula et caterva... e + assaltos ao Estado. Japão + Coréia fizeram o dever de casa quanto à educação; o Brasil, não! Quanto ao seu projeto de secagem de palha de carnaúba - hum...não creio que Ceará vá fazer grande coisa, não. Triste isso. Grande abraço do amigo.

8:31 AM  

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