terça-feira, novembro 29, 2005

BLOG DA SEMANA 48 / 2 - ANO 1 - 2005

Ninguém me diz se os meus Blogs estão satisfazendo aos leitores, nem quais assuntos deveria abordar mais. Então decidi que vou sempre inicia-los com uma pequena conversa, seguida de um tema que procurarei desenvolver de forma mais completa e três a cinco outros tópicos menores. Os comentários são sempre vivamente solicitados. Entre os meus visitantes, brasileiros têm representado cerca de 76%, 14% seriam norte-americanos, muitos europeus e até leitores das Ilhas Mauritius, região onde durante muitos anos eu me orgulhava de ter um cliente de cêra de carnaúba. Vejam só. Sempre admirei o Professor Luciano Coutinho e li com interesse o seu artigo na Folha de S.Paulo de domingo. Motivo de indagação minha, o equilíbrio mundial apesar do sempre crescente déficit comercial norte-americano e nesse artigo do Prof. Coutinho êle explica que o Japão e a China, os dois maiores países de comercio superavitário com os Estados Unidos redistribuem êsse benefício através de um esquema inter-regional, subcontratando e descentralizando a manufatura de produtos e partes na região asiática, com destaque para a China, que, por sua vêz compra pesadamente as matérias primas de que carece, preferencialmente na Ásia mas também em outras regiões como a América do Sul. A capacidade de manufaturar competitivamente, transcrevo o que escreveu o prof. Coutinho, revela-se como a mais poderosa alavanca de crescimento. Mais que isso: permite ganhar participação global em muitos mercados e, ainda mais importante, perfazer procesos exitosos de aprendizado e de inovação tecnológica. Ainda segundo o Prof. Luciano, a melhoria nas relações de troca observadas nos três últimos anos seriam fruto da forte aceleração das importações chinesas e do boom do setor de construção civil, combinado com o aumento dos gastos militares dos Estados Unidos. Não é sensato para o Brasil baseado no que ocorreu recentemente, abdicar de vez do desenvolvimento industrial. Ao contrário, a experiência dos asiáticos mostra que o sucesso deles só foi possível através de intenso aprendizado industrial focado na construção de vantagens competitivas. Enquanto isso, sem estratpégia alguma, o Brasil continua perdido e conformado com um crescimento medíocre, câmbio desfavorável às nossas exportações e sem projeto industrial. Uma pena!
NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS E DESINDUSTRIALIZAÇÃO - tema do artigo semanal do Ministro Rubens Ricúpero, também inserido na Folha de S.Paulo. Segundo Ricúpero, o Brasil, embora em menor escala já sofre um processo de desindustrialização que poderá se agravar se o País cair na armadilha que se prepara para as negociações da OMC. Muito esclarecedor o artigo do ministro Ricúpero, que aponta um início de pressão contra o Brasil e a Índia com os discursos do Ministro Tony Blair, na City londrina, a entrevista de Pasdcal Lamy, diretor-geral da OMC e declarações do comissário europeu Mandelson, segundo os quais os ganhos que poderemos ter na agricultura não serão gratuitos. Ricúpero ainda aponta o fato das concessões européias serem redundantes já que os subsídios que pretendem eliminar, de fato há anos, não têm serventia. Assim, a Europa, de fato não quer dar coisa alguma, mas quer levar em troca concessões significativas em reduções tarifárias de produtos industriais e abertura no setor de serviços - os cortes tarifários que propõem para os produtos industriais são maiores do que todos os cortes efetuados por êles desde o fim da Segunda Guerra Mundial e vigentes preponderantemente para as relações entre êles mesmos. A versão favorecida no momento, diz Ricúpero, obrigaria a cortart 50% das tarifas consolidadas, com efeitos devastadores para setores como o automobilístico e o que sobrou do eletrônico no Brasil. A retirada da proteção tarifária em países de economia precária como a do Brasil, cujas taxas de juros são mirabolantes, o câmbio apresentando taxas de conversão proibitivas para a nossa competitividade e a carga tributária existente desencorajam os investimentos. A FIESP deverá propor posições para o País que estimulem o investimento produtivo, capazes ainda de evitar que se acentue o padrão exportador de commodities. Sacrificar industrias dinâmicas pela agricultura de exportação é trocar o nosso futuro pelo o nosso passado. Não podemos deixar acontecer.
AS TAXAS DE JUROS, A POUPANÇA INSUFICIENTE, OS EMPRÉSTIMOS DESCONTADOS NAS FONTES PAGADORAS DOS APOSENTADOS - a impressão que muitas das vezes eu tenho é que os burocratas têm os empresários como faltos de maior visão dos problemas coletivos, focados que viveriam nos seus negócios. Assim, nem atentam bem para opiniões que divirjam das idéias dêles. A elevada taxa de juros,que segundo êles seria necessária para freiar a inflação, indispensável pela propensão a gastar do brasileiro do que decorreriam os baixos índices de poupança. Ora, não tem absurdo maior. Não há poupança justamente porque os juros estratosféricos não permitem a expansão do setor produtivo de modo a usar a sua capacidade instalada e sem poder usar a capacidade instalada que tem, a produção apenas ultrapassa o ponto de equilíbrio e assim não pode gerar poupança. Estabelecer essa taxa de juros monstruosa para favorecer os capitais forâneos, é quase um crime de lesa pátria, caso se comprove que haveriam outras alternativas para se alcançar o mesmo controle inflacionário. Certamente, os empréstimos concedidos aos aposentados para gastarem em aquisições suntuárias constituem um estímulo à inflação. Acredito que por meio do compulsório e de exigência de depósitos adicionais pelos Bancos quando fizerem aplicações de empréstimos bancários em áreas desinteressantes para as finanças do país, seria possivel manter juros mais decentes e freiar o aumento da dívida interna que já bateu no trilhão de Reais, além de manter-se a inflação sob controle. Deixaríamos também de favorecer os Banco do exterior o que tem rendido ao nosso Governo elogios copiosos dos dirigentes do países que de nossa ignorância se beneficiam.
COMO ATENDER À NECESSIDADE DE ARROZ DE 5 BILHÕES DE SÊRES HUMANOS QUE TÊM NO PRODUTO A SUA PRINCIPAL FONTE DE ALIMENTAÇÃO - na revista Plant Molecular Biology edição de novembro em curso, inclui interessante trabalho de Gurdev S. Khush, do International Rice Research Institute, de Manila, Filipinas, que aborda o tema. Diz o autor que entre 1966 e 2000, a população pobre dos paises densamente povoados cresceu 90% enquanto a produção de arroz, devido a adoção da tecnologia da revolução verde, cresceu 130% : de 257 milhões de toneladas em 1966 alcançou 600 milhões de toneladas em 2000. Mas a população dos páises consumidores de arroz continua a crescer e prevê-se que até 2030 a produção de arroz terá que crescer mais 40%, usando menos terras, menos águas, menos trabalho eutilizando menos produtos químicos. Para isto serão necessárias serão necessárias que se desenvolvam conhecimento devariedades de arroz com potencal de produção maior e mais estável. Várias abordagens convencionais e utilizando tecnicas de biotecnologia estão sendo experimentadas. A disponibilidade do conhecimento da seqüência do genoma do arroz permitirá a identificação dos 60.000 genes do arroz. Uma vez identificada a função do gene, será possível desenvolver-se novas variedades de arroz, inclusive pelo aproveitamento de genes de variedades ainda não domesticadas de arroz.
PEPTÍDIOS - peptídios são moléculas de amino-acidos de cadeias curtas. A revista Speciality Chemicals em sua edição de outubro, publicou um suplemento do qual, sem traduzir, vou transcrever parte do texto introdutório. " There has been rapid worldwide growth in peptide-related research as peptide manufacturers increasingly interact with virtually all fields of science. Research topics include the synthesis of biologically important targets, the isolation and characterisation of new products, studies of structure-activity relationship, molecular diversity, de novo design, drug delivery and discovery of new pharmaceutical agents. Although they have been known for decades, peptide therapeutics have only recently experienced significant growth. The global therapeutic peptides market in 2004 was valued at $1.1 billion and is expected to nearly double in size by 2010, according to Frost and Sullivan. The US accounts for 65% of the total market, Europe for 30%. In 2004, there were 600-700 proteins and peptides in development worlwide, with more than 40 peptides-based products commercially available, around 270 peptides in clinical phase testing and about 400 in advanced pre-clinical phases.
Acredito que seja embarcando em áreas de desenvolvimento mais recente e chegando à paridade da disponibilidade do conhecimento é que uma industria nacional poderá usufruir das vantagens do crescimento que as novas tecnologias podem oferecer. Temos que focar nossos esforços nessas perspectivas.