sábado, outubro 01, 2005

Continuando a conversa

Os meus filhos, que também receberam a minha primeira mensagem feita no BLOG, acharam o meu texto muito extenso, pelo que procurarei ser mais enxuto hoje.
Imagens do DELTA DO PARNAÍBA que obtive no GOOGLE EARTH e dos tanques de criação de peixes usados no Chile e que eu vi ao fazer turismo na região, poderão ser solicitados pelos os interessados e eu atenderei com satisfação.
Comecei a ler o livro publicado pela a SHELL (Publicação da Shell International Limited) "The Shell Global Scenarios to 2005"  (Global Business Environment - SI-PXG, Shell Centre, London, SE1 7NA, UK) que promete ser uma leitura interessante, embora difícil. Maiores informações poderão ser obtidas no "site" http://www.shell.com/scenarios  e o endereço é pxg@shell.com .
Ainda na parte introdutória, o trabalho reporta sôbre um projeto desenvolvido pelo sr. Joel Kurtzman, ex-editor da Harward Business Review onde êle procurou determinar o Índice de Opacidade de cada país, cujo índice forneceria uma estimativa dos efeitos adversos da opacidade sôbre o custo e disponibilidade de capitais nos 48 países examinados.
O índice é baseado em 65 variáveis objetivas, obtidas de 41 fontes diversas, incluindo o banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, e autoridades nos países considerados.
O índices oferece o "O-Factor", índice de opacidade, considerando 5 áreas que afetam mais diretamente os mercados de capitais, a saber: 1. corrupção na burocracia governamental; 2. leis reguladoras de contratos e direitos de propriedade; 3. políticas econômicas( fiscal, monetária e tributária); 4. padrões contábeis e 5. legislação comercial. A opacidade, falta de clareza, em qualquer dessas áreas elevará o custo da realização de negócios, além de reduzir a oferta de créditos.
De forma a dar uma estimativa do custo real associado a essa opacidade, o autor calculou o custo sob a forma de porcentagem de juros acrescidos ou deduzidos que seriam requeridos por investidores norte-americamos para realizarem investimentos no exterior.
No estudo, o fator de opacidade (O-Factor) dos Estados Unidos é 21 e a taxa de juros equivalente é ZERO; a Finlândia tem o mais baixo O-Factor da tabela, 13 e a taxa equivalente de juros é de -1,83. A Indonésia é a lanterninha da tabela, com um O-Factor de 59 e uma taxa de juros equivalente de 8,54%. O Estudo dá ao Brasil um O-Factor de 40 que corresponde a um custo adicional de aplicação de capitais de 4,29%, melhor do que o México, do que a Rússia, do que a Índia, do que a China, entre outros.
Num estudo de cenários que se propõem a antecipar tendências até o ano 2025, o que se pergunta é qual a influência de fatos como os que se revelaram no nosso país, recentemente, como os escândalos dos Correios, do Mensalão, do Mensalinho e a visível aceitação pelas lideranças de boa fração da elite política do País da existência de "caixas 2" desde que para uso em campanhas políticas , em tais cenários, como os seus autores poderão retificar avaliações como essas feitas do grau de opacidade de um País? Outra observação interessante, também, que se deve colocar, é saber-se qual a influência de uma taxa negativa como a indicada para o Brasil para quem vai fazer aplicações no nosso país onde os juros mensais são mais de 4 vêzes essa taxa penalizadora atribuída a êle? E´outro mundo que ignora o nosso!
Traduzimos um comentário conclusivo desta página do livro: "Há uma ironia nos fatos encontrados. Muitos dos mercados emergentes estão ansiosos para oferecer incentivos tributários para estimular investimentos, freqüentemente sob a forma de concessões nas taxas dos tributos de forma a atrair investimentos diretos no País. A taxa de juros equivalentes à opacidade implica em que uma redução nas causas dessa opacidade pode, essencialmente, substituir tais incentivos fiscais. Em outros termos, reformas domésticas que impliquem na redução dos fatores de opacidade, podem ser tão efetivas quanto reduções tributárias no estímulo aos investimentos internos e na atração de investimentos externos diretos - sem o sacrifício da receita tributária" (Confronte pag. 36 da obra citada).
Desde 1981 a companhia de petroleo SHELL, organiza cenários através dos quais procura discernir o essencial dos mercados futuros.  Arie de Geus, quando Diretor dessa empresa participou do desenvolvimento de um primeiro e pioneiro trabalho na empresa. O livro de sua autoria, " A Empresa Viva", é uma leitura instigante embora as condições reinantes em nosso País sejam tremendamente negativas para a valoração de trabalhos dessa natureza. Afinal, quem leva a melhor: quem trabalha racionalmente, estuda cenários, aplica-se no estudo do seu mercado, dos seus produtos, em inovação tecnológica que se tenta estimular, ou quem navega nas sombras dessa economia de mensalões e "legalização" de dinheiros recebidos de forma escusa ? Com empresas publicitárias de crescimento vertiginoso ou empresas aquí estabelecidas com acesso aos juros não canibalescos aqui praticados? Talvez o estudo da SHELL ignore as peculiaridades do nosso País para o qual suas vistas, considerando tudo o que sabem dêle e que é muito menos do que agora sabemos existir, se restrinja ao potencial do nosso mercado no seu rítimo tacanho de crescimento.
Se fui prolixo, me desculpem... Irei me disciplinando... aos poucos!  
 

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Dr Marc

Nao me anima ver o Brasil com um indice de opacidade, na frente do Mexico, da Russia, da India e da China.

O mexico tem uma populacao enorme de indigenas, pobres e analfabetos com um indice de corrupcao muito grande tbem.

Os outros tbem tem peculiaridades q lhe deixaram no atraso por milenios, como a China q so agora acordou para desburocratizacao.

Mas felizmente vi na midia ha poucos dias q o pres lula estava recebendo algumas comissoes para debaterem alguns itens q se identificam com essas reformas domesticas ...

Vamos torcer pra q nos brasileiros acordemos e possamos viabilizar uma estrada de crescimento para o Brasil.

Qqer coisa me corrija.

Abr hgil

12:47 AM  
Anonymous Anônimo said...

Prezado Dr Marc, receba meus melhores cumprimentos. Vez por outra tenho satisfação em ler seu blog pois sempre o considerei fonte viva de conhecimento e experiência de vida, o que todo homen sansato deve e precisa procurar - tive e tenho a satisfação de ter convivido co mo senhor e trabalhado por mais de 20 anos e, acredito isso me ajuda ainda hoje em minha vida pessoal e profissional pois ainda atuo ativamente no mercado internacional - exportação de ceras. Nosso sonho de um porto em Luiz Correia parece utopia.... Gostaria que o Piauí Tivessem uns Dez Marc Jacob ou Roland Jacob, só assim poderiamos voltar a experimentar tempos de prosperidade. Receba meu cordial abraço
A.Pontes Magalhães
www.aurimarmagalhaes.blogspot.com

9:47 AM  

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